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Nº 5714
Cidades

... E Cabral esteve ou n�o no litoral alagoano?

VALMIR CALHEIROS São lembrados, neste 22 de abril, os 502 anos da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. E o historiador e professor Douglas Apratto Tenório, mesmo preferindo ser prudente, sobre as várias versões do Descobrimento do país, principal

Por | Edição do dia 21/04/2002 - Matéria atualizada em 21/04/2002 às 00h00

VALMIR CALHEIROS São lembrados, neste 22 de abril, os 502 anos da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. E o historiador e professor Douglas Apratto Tenório, mesmo preferindo ser prudente, sobre as várias versões do Descobrimento do país, principalmente em relação ao primeiro lugar avistado pela frota de Cabral, e que teria sido em terras alagoanas, afirmou que Alagoas tem direito a reivindicar sua presença nessa discussão. Embora não querendo comprometer-se de forma definitiva acerca do assunto, ele não nega o fato, sem antes deixar de salientar que, em História nem toda verdade é definitiva. E a História já definiu que o ponto de descobrimento do Brasil foi na Bahia. “Há evidências fortes sobre o acontecido. Mas há argumentos também razoáveis pelos que defendem a tese alagoana. Pernambuco e Rio Grande do Norte, através do Cabo de Santo Agostinho e de Touros, também defendem que seria naqueles Estados”, acrescenta Apratto, que é vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e membro da Academia Alagoana de Letras. Na costa alagoana O historiador explica, em relação à tese favorável a Alagoas que, “contrariando a versão oficial de que esse primeiro lugar foi o Monte Pascoal, na Bahia, alguns historiadores locais defendem que tal ponto, na verdade, foi o contraforte da Serra da Nascêa, em Anadia. Jayme de Altavilla, um dos maiores nomes desta corrente, baseia-se no cronista pernambucano Fernandes Gama e no cientista Alexandre Von Humboldt, os quais sustentam que as primeiras terras divisadas pela esquadra da cruz de malta estavam localizadas a 10 graus de latitude sul, e, portanto, na costa compreendida entre Jequiá e Coruripe”. Barreiras vermelhas Apratto observa que essa tese é reforçada com o registro de João de Barros que, em sua obra “Décadas da Ásia”, dá a entender que as primeiras terras avistadas pelos portugueses foram as de Alagoas, e que depois de terem andado um dia ao longo do litoral, tendo sido arrastadas à noite, pela ação de fortes ventos e de um temporal, foram para o sul, aportando em Porto Seguro, onde desembarcaram. “Alfredo Brandão, outra importante figura da historiografia alagoana, apóia-se também em Humboldt, para presumir que a primeira terra avistada deveria ser entre o porto do Francês e a embocadura do Rio São Francisco, nas proximidades do Rio Jequiá. O respeitado cronista viçosense chama a atenção sobre a carta de Pero Vaz de Caminha na qual o escrivão-mor registra a atenção dos marinheiros, após tantos dias de navegação em alto-mar, “sobre as barreiras altas e vermelhadas e um monte muito alto e redondo com térreas chãs ao sul”. As citadas barreiras vermelhas são perfeitamente visíveis por quem passa a costa alagoana e não existem ao longo da costa baiana. Segundo ele, seriam as barreiras vermelhas do Jequiá e o monte alto, redondo, que se vê muito longe, para o interior das terras, antes de se chegar a Maceió, um dos cabeços da Serra dos Dois Irmãos. Por essa versão local, o Monte Pascoal não seria um cabeço da Serra dos Aimorés, na Bahia, mas o cabeço da Serra dos Dois Irmãos em Alagoas”. A carta de Caminha Mais adiante, o professor Douglas Apratto ressalta que Jayme de Altavila igualmente serve-se da Carta de Caminha, onde há uma descrição de um reconhecimento feito num local perto de onde aportaram embarcações, o que reforçaria a tese que defende. “E então o capitão passou ao rio com todos nós outros, e fomos até uma grande lagoa de água doce, que está junto com a praia, porque toda aquela ribeira do mar é abaulada por cima, e sai a água por muitos lugares”. Segundo ele, o rio seria o Rio Coruripe, quanto a lagoa grande seriam então as diversas lagoas, localizadas antes do Rio Poxim, adiante do curso d’água mencionado no documento de Caminha e que se reúnem por vários canais, confundindo-se com o citado rio, sendo esta “uma região muito pantanosa (apaulada), daí a expressão “apaulada por cima”, e sai a água por muitos lugares”. Outros registros são também confrontados como a de que “a terra traz ao longo do mar, em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas e outras brancas”, entendendo-se que seria, segundo os defensores da tese, as barreiras de Jequiá. A topografia seria, por assim dizer, a enseada do Pontal de Coruripe, o possível ancoradouro da esquadra cabralina. A situação geográfica, o meio físico, da Bahia Cabrália, tem semelhanças claras com a costa alagoana, mas ainda Altavila mencionado Salvador Pires de Carvalho e Aragão, revela que na região baiana, perto de Porto Seguro, “não existe nenhuma lagoa de água doce, existindo sim três pequenas lagoas salgadas, cujas comunicações com o mar só se estabelecem nas marés altas”.

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