Cidades
Juiz suspende venda de armas da Beretta no pa�s
FELIPE FARIAS O juiz da 3ª Vara da Fazenda Estadual de Alagoas, Manoel Cavalcante de Lima Neto, determinou a suspensão, em todo o país, das atividades comerciais da fabricante de armas italiana Beretta. Suspendeu também a autorização do Ministério da Defesa para que a Beretta forneça armas para as polícias no país, bem como o bloqueio de ativos (dinheiro de vendas), se houver, resultantes das operações de venda internacional de armamentos da empresa com o Brasil. A medida atende pedido feito esta semana pelo Ministério Público Estadual na ação que tramita na 3ª Vara sobre a compra irregular de armas feita pelo Estado de Alagoas há três anos. O Estado pagou cerca de R$ 600 mil adiantados por 208 armas que equipariam as polícias Civil e Militar, mas nunca recebeu o armamento. O caso, que ficou conhecido como ?escândalo das armas?, envolve dois ex-secretários de Defesa Social, os delegados Mário Pedro dos Santos e Edmilson Miranda. Foi Mário Pedro quem fez o pedido de bloqueio, originalmente. O pedido está presente nas contestações apresentadas pelo delegado, uma das etapas do processo que corre na 3ª Vara. Entretanto, segundo a Justiça, os argumentos apresentados pelo ex-secretário não justificavam a adoção da medida contra a fábrica italiana. Mário Pedro consta como réu na ação porque foi durante sua gestão que a compra foi paga e o Estado constatou que não receberia as armas. Mário Pedro, por sua vez, pediu a inclusão de seu antecessor no cargo, Edmilson Miranda, também como réu porque foi na gestão deste à frente da Secretaria de Segurança (à época) que a operação começou. Coube ao Ministério Público apresentar os argumentos que levaram ao atendimento do pedido pelo juiz da 3ª Vara. Segundo o promotor Cyro Blatter, representante do MPE na 3ª Vara, a instituição entende que houve eventual culpa nos procedimentos adotados no caso pelos representantes da empresa italiana. O mandado do juiz alagoano será comunicado ao Banco do Brasil e ao Banco Central, para que o dinheiro decorrente das operações de comercialização da empresa com o Brasil, se houver, seja bloqueado e fique à disposição da 3ª Vara. Outro comunicado será feito ao Ministério da Defesa, para que seja suspensa a autorização para que a fabricante italiana venda armas no Brasil.