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Mulheres negras participam de encontro em AL

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DORGIVAL JUNIOR Mulheres negras descendentes de quilombos de todo o país participam, em União dos Palmares, do I Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas. O Estado de Alagoas foi escolhido para sediar o evento, segundo a comissão organizadora, por ter sido palco do primeiro grito de liberdade dos negros contra a escravidão no Brasil, com o Quilombo dos Palmares, em União, sendo considerado um dos mais importantes símbolos da resistência. Participam do encontro grupos de 21 estados da federação, além de estudiosos e historiadores. De acordo com a diretora de Proteção do Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares, Bernadete Lopes, durante o encontro, que será encerrado no próximo domingo, serão debatidos temas como saúde, educação e a aplicação de políticas públicas de geração de emprego e renda para as 746 comunidades quilombolas existentes em todo o país, além de estratégias de combate ao racismo e ao preconceito. Raízes ?Este encontro foi um projeto que se tornou realidade e que está reunindo mulheres que são responsáveis pela preservação das raízes e pela tradição do povo negro?, disse Bernadete Lopes. Segundo ela, ?este evento deveria ter sido realizado em Brasília, mas pela importância de Alagoas resolvemos fazê-lo aqui. O Estado conta com 40 comunidades formadas por descendentes de quilombos, sendo 20 delas comandadas por mulheres. Além disso, 442 comunidades ainda se encontram em processo de reconhecimento e titulação no Brasil?. A secretária especializada da Mulher, Vanda Meneses, destacou que o ?encontro foi fruto de uma militância de centenas de mulheres negras que mantêm preservadas as riquezas da cultura dos quilombos?. ?Em Alagoas, novas comunidades descendentes de quilombos estão sendo mapeadas como em Traipu, onde dois povoados da zona rural guardam descendentes de escravos negros fugidos da escravidão?. A representante da Fundação Palmares, Bernadete Lopes, pediu ao governador Ronaldo Lessa, presente à solenidade de abertura do encontro, no Sesc Guaxuma, a inclusão de representantes de entidades e grupos negros nos conselhos estadual de Segurança Pública e no de Meio Ambiente de Alagoas. ?Ele ficou de também defender a proposta já que os conselhos são deliberativos?, afirmou. O governador Ronaldo Lessa ressaltou a importância da mobilização das mulheres negras quilombolas. ?Elas estão abrindo espaço e portas para o novo e sem medo de errar?, disse o chefe do Executivo estadual, lembrando da problemática do preconceito racial em Alagoas. Durante a abertura do evento também foram apresentadas danças afro por artistas da terra. No domingo, o encontro será encerrado com a visita de todas as participantes à Serra da Barriga, onde no platô será realizada uma homenagem com oferendas às orixás femininas (Yabas).

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