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Mosquitos “atacam” moradores do Po�o

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BLEINE OLIVEIRA Especialistas da área de meio ambiente e infectologia apontam as altas temperaturas registradas em Maceió nos últimos dias, somadas à deficiência de saneamento básico, como causa do grande número de mosquitos, as conhecidas muriçocas, que têm aparecido em diversas áreas da capital. No bairro do Poço, os moradores têm sofrido com a verdadeira ?invasão? dos mosquitos. O velho mosquiteiro e o ventilador são as saídas que a maioria encontrou para enfrentá-los. O professor Celso Tavares, infectologista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), disse que os mosquitos trazem o risco de doenças como a filariose (também conhecida como elefantíase, transmitida pelo mosquito Culex, o pernilongo doméstico), mas que não há registros na área do Poço. As muriçocas, alerta ele, devem ser combatidas com inseticidas. A orientação do professor Celso Tavares contra os ?invasores?, que trazem ainda desconforto e prejudicam o sono noturno, é que os moradores recorram a soluções tradicionais como o mosquiteiro. Outra forma de se livrar dos mosquitos, acrescenta o infectologista, é ajudar na limpeza urbana, mantendo ruas, calçadas e quintais limpos, e cobrar do poder público obras de saneamento. ?É fundamental que olhemos para a cidade como olhamos para o nosso corpo?, ilustra Celso Tavares. Para o secretário municipal de Proteção ao Meio Ambiente, Álder Flores, a proliferação de mosquitos no bairro do Poço é atípica mas ocorre freqüentemente. A causa está na proximidade das ruas com esgotos do que outrora foram os riachos do Sapo e Gulandi. ?Não é mais possível referir-se a eles como riachos, pois só têm esgotos? ? afirma o ambientalista, acrescentando que naquele bairro é alta a quantidade de ligações clandestinas de esgotos. O problema, admite o secretário, está diretamente ligado à falta de saneamento básico. Mas as altas temperaturas registradas no verão influenciam o desenvolvimento das larvas que rapidamente crescem e, na forma de mosquito adulto, espalham-se pela cidade. Segundo Álder Flores, o próprio Salgadinho, que ontem estava literalmente seco, é causa da proliferação de mosquitos na região do Poço. A justificativa dele para a falta de ?água?, ou na verdade esgoto, no Salgadinho é que a vazão da foz está baixa em decorrência da falta de chuvas. Por isso, os técnicos da Sempma decidiram acionar as duas bombas de sucção existentes no leito do riacho, desviando toda a ?água? para o emissário submarino. Com isso, a praia da Avenida se torna própria para banho, já que o esgoto do Salgadinho não chega ao mar. Moradora do bairro do Poço há mais de 30 anos, a dona de casa Maridalva Marques da Silva diz que nesta época do ano a quantidade de mosquitos sempre aumenta. Mas desta vez, a praga é muito maior, transformando a vida dos moradores num ?inferno?. A ?invasão? é tão intensa, diz ela, que nem mesmo o mosquiteiro tem sido suficiente. ?Nos últimos dias, estamos dormindo de dia para enfrentar os mosquitos à noite? ? reclama Maridalva.

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