Cidades
ALE ignora debate sobre cotas para alunos pobres
BLEINE OLIVEIRA Estudantes da rede pública estadual saíram frustrados, ontem, da Assembléia Legislativa, com a total ausência de parlamentares e de autoridades do governo, na audiência pública sobre reserva de vagas para estudantes sob exclusão social, nas universidade estaduais. A sessão foi proposta pela deputada Maria José Viana (PSB), autora de um projeto que estabelece a obrigatoriedade de 50% das vagas na Escola de Ciências Médicas (Ecmal) e na Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa), as universidades mantidas pelo governo alagoano, para estudantes que cursarem o Ensino Fundamental e Médio integralmente nas escolas públicas. Mesmo tendo confirmado presença, dirigentes da própria Ecmal e da Funesa, além do secretário estadual de Educação, Maurício Quintella, e a reitora da Universidade Federal de Alagoas, Ana Dayse, não compareceram e não mandaram representantes. ?Queríamos aproveitar o debate sobre a proposta de cotas para discutirmos as carências do ensino público?, afirmou o estudante Otávio de Oliveira, representante da Ong Construção Jovem. Já a deputada Maria José Viana disse que a ausência de todos ?impede o avanço da educação e dos projetos de inserção social?. Apesar da ausência de deputados e de dirigentes públicos da área de ensino, o projeto foi debatido pelos estudantes com a própria autora e com o professor-doutor Arim Soares do Bem, especialista em política de cotas públicas. Ele defendeu o projeto para os alunos da rede pública argumentando que esse é um caminho seguro para inserção dos segmentos da sociedade que ainda são mantidos distantes das riquezas do País. ?A realidade é que, na disputa de mercado profissional, por exemplo, os mais pobres enfrentam uma profunda desigualdade?, disse Arim Soares. O projeto de lei que obriga o governo alagoano a garantir que metade das vagas na Escola de Ciências Médicas e na Funesa seja reservada a alunos da rede pública está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa e provavelmente só será discutido em plenário no próximo ano. O objetivo do projeto é garantir ao estudante da rede pública acesso ao ensino superior gratuito, pois atualmente as universidades públicas brasileiras atendem majoritariamente a estudante de escolas particulares. A estudante Carla Beatriz Silva, 18 anos, foi à Assembléia defender a proposta de cotas. Para ela, que concluiu o ensino médio em 2003, o projeto será benéfico aos estudantes pobres que não têm condições de pagar cursinho ou uma faculdade particular. ?A proposta nos favorece e é justa, já que a seleção será a mesma para todos?, disse ela.