Cidades
M�dicos da UE respondem a processos acusados de neglig�ncia
DORGIVAL JUNIOR A superlotação de pacientes na Unidade de Emergência é uma das principais causas das denúncias de erro médico e falta de atendimento pelos profissionais que atuam na maior unidade hospitalar pública de Alagoas. A constatação é do próprio Sindicato dos Médicos, que ontem decidiu criar uma comissão para estudar os casos de negligência, e, ao mesmo tempo, a precariedade das condições de trabalho. O número de processos onde os profissionais são acusados de negligência não foi revelado pela entidade de classe. De acordo com informações do Sindicato, a própria Unidade de Emergência é que vem denunciando os médicos ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para que as falhas dos profissionais possam ser investigadas. ?Médicos da Unidade de Emergência estão respondendo a processos por falta de ética profissional. A superlotação é o grande causador deste problema?, disse a advogada do sindicato, Gorete Moura, alegando que as queixas dos próprios médicos são constantes. A presidente do sindicato, Dilma Barbosa, informou que uma comissão ? formada exclusivamente por médicos da Unidade de Emergência - está sendo criada para que sejam detectadas as falhas que dão origem às denúncias contra os profissionais de saúde. ?Essa comissão será o elo entre o sindicato e a Unidade de Emergência. Não queremos que a população seja prejudicada. O médico tem que ter melhores condições de trabalho para que também possa oferecer um atendimento digno aos pacientes. Não queremos que a população seja prejudicada e nem os médicos pelos efeitos causados pela superlotação?, disse a presidente do Sindicato dos Médicos. Problema Apesar de a direção da Unidade de Emergência ter anunciado a redução na superlotação em torno de 40% - após ter recebido 37 leitos do Hospital José Carneiro - pessoas esperando atendimento ou mantidas em observação podem ser vistas deitadas em macas e camas dos corredores do hospital. Angustiados, os pacientes chegam a esperar cerca de 30 minutos nos corredores da Unidade que realiza, por dia, uma média de 450 atendimentos. ?Os dias de maior movimento são nos fins de semana e na segunda-feira. Não vamos negar que a superlotação existe, mas ela não é mais tão constante. Há dias onde os corredores estão praticamente vazios. Precisamos de mais leitos para evitar este problema. Quase todos os dias temos dez pacientes que precisam ir para a UTI e que ficam à espera de uma vaga?, disse o diretor da Unidade de Emergência, Marcus Sampaio, alegando que o hospital conta hoje com um quadro de 1.400 profissionais. ?Não precisamos de mais funcionários e sim de menos pacientes. A Unidade só deveria atender os casos de urgência. A superlotação é provocada pelos pacientes de doenças crônicas e ambulatoriais?, disse ele. Hoje, a Unidade conta com 149 leitos, além de 37 do Hospital José Carneiro, quando seriam necessários mais 60 para que o problema de superlotação fosse amenizado.