Cidades
MP quer confiscar fazenda de envolvidos em fraude
FELIPE FARIAS O Ministério Público Estadual (MPE) pediu à Justiça que uma luxuosa fazenda localizada no município de Piaçabuçu seja considerada bem indisponível, porque pode pertencer aos responsáveis pelo desfalque na Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). O pedido foi encaminhado ontem ao juiz Manoel Cavalcante de Lima Neto, da 3ª Vara da Fazenda Estadual, onde tramita uma ação de improbidade contra 56 réus acusados de envolvimento no caso. O imóvel, segundo o promotor do MPE, Sidrack Nascimento, não está oficialmente no nome do principal envolvido no caso, Eduardo Menezes, mas, segundo o MPE, há ?indícios mais que suficientes? de que ele seria o proprietário da casa. A diligência foi realizada pelos promotores Sidrack Nascimento e Cyro Blatter em Piaçabuçu, na sexta-feira da semana passada, para identificar a fazenda. Segundo ele, o imóvel rural não é grande (o representante do MPE não soube dimensionar o tamanho exato), mas de bom padrão. ?Principalmente pela casa-sede que, pelo que pudemos ver, é de muito alto padrão?, ratificou. Os promotores não chegaram a entrar na fazenda, mas constataram que pode valer bastante, entre outros fatores, por causa da localização privilegiada: ela fica perto da margem da pista da AL-101 Sul, a cerca de 5 quilômetros da praia, e possui três açudes. O pedido de bloqueio, segundo ele, vai ser encaminhado ao juiz Manoel Cavalcante de Lima Neto, titular da 3ª Vara da Fazenda Estadual, onde tramita a ação contra as 56 pessoas e empresas acusadas de envolvimento no desvio que retirou cerca de R$ 3,6 milhões das contas da Sesau. Se concedido, será comunicado aos cartórios de imóveis da comarca da região, para ser cumprido. Caixa O promotor Sidrack Nascimento, do Núcleo de Combate à Sonegação do MPE, informou ontem que deve ouvir o depoimento de mais três funcionários da Caixa Econômica. ?Só depois de colher todos eles é que poderemos chegar à conclusão sobre se a instituição teve ou não responsabilidade no caso, por não ter tido as devidas cautelas ao autorizar as operações?, informou. Os promotores que investigam o caso também estão analisando os documentos recolhidos em outros depoimentos de funcionários da Caixa e tentando identificar outros bens dos envolvidos. Ontem, o promotor Cyro Blatter realizou uma diligência na Delegacia da Receita Federal no Estado, com esse objetivo. Depoimentos Para hoje estão previstos mais dois depoimentos de funcionários da Caixa Econômica e, até quinta-feira, mais dois deverão ser ouvidos, ?para encerrar o ciclo referente à instituição?. Os promotores já dimensionaram a fraude e processaram as pessoas e empresas apontadas como envolvidas no desvio promovido nas contas da Secretaria de Saúde no Banco do Brasil.