Cidades
MST invade subesta��o da Chesf em Delmiro
DORGIVAL JUNIOR Uma subestação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), em Delmiro Gouveia, foi ocupada ontem por um grupo composto por 1.500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de Alagoas. O ato público, de acordo com Hercílio Leandro, membro da comissão estadual do MST, faz parte de uma manifestação nacional. Segundo ele, o MST invadiu oito sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em todo o país, inclusive a de Maceió. De acordo com Leandro, essa não é a primeira vez que o MST alagoano invade a sede do Incra. Os sem-terra estão acampados há mais de um mês, na Praça Sinimbu, Centro de Maceió, ao lado da nova sede do instituto. Participaram da ocupação ao prédio 1.500 famílias de assentados procedentes do Litoral Norte e da Zona da Mata. Na pauta de reivindicações está a agilização do processo de reforma agrária, liberação de crédito, além da vinda do ministro da Reforma Agrária a Alagoas para negociar os itens relacionados. Os sem-terra receberam o apoio de 120 famílias da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que estão há dois meses acampadas na Praça Sinimbu. O MST e a CPT alegam que só deixarão o local quando tiverem as exigências atendidas. ?No Estado, temos 47 áreas de assentamento e 3.458 famílias à espera de um lote de terra para trabalhar?, disse Hercílio Leandro. O superintendente do Incra em Alagoas, Gino César, informou que não negociará com os sem-terra enquanto o Instituto não for desocupado. ?Todas as ações estão suspensas. Já pedi a reintegração de posse do prédio. Negociação, só quando eles tiverem deixado o Incra que abriremos negociação?, disse. Ainda ontem à tarde, os sem-terra tornaram o Centro da cidade ainda mais caótico, com uma passeata pelas ruas, entre as obras de requalificação. Apagão O líder sem-terra informou também que outro grupo de assentados da Bahia invadiu, na manhã de ontem, a subestação da Chesf em Paulo Afonso, no Norte da Bahia. Eles reivindicam o reassentamento das áreas e exigem a presença do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ?Os sem-terra ameaçam invadir a Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, caso não sejam atendidos?, afirmou Hercílio Leandro. O clima na área era de tensão até o começo da noite, tanto na subestação da Chesf em Delmiro como na de Paulo Afonso.