Cidades
Cinco mortos em acidente anterior
O laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil sobre a morte de cinco rapazes que estavam em um Chevette que caiu na mesma lagoa de decantação de vinhaça da Usina Cachoeira do Meirim, em 2003, em condições semelhantes à do ônibus que transportava trabalhadores daquela indústria sucroalcooleira, concluiu que a deficiência do projeto de construção e manutenção da lagoa e a falta de sinalização naquela estrada causaram o acidente. Esse laudo consta do processo instaurado na 5ª Vara Especial Criminal, já arquivado, mas deve ser resgatado para uma análise comparativa com as análises que estão sendo feitas agora pelo IC, investigando as causas do acidente com o ônibus, que matou sete pessoas. Se as investigações confirmarem que a deficiência do projeto da estrada e a falta de sinalização provocaram o acidente, o Estado também pode ser responsabilizado. No episódio em que morreram os cinco rapazes - garçons que curtiam um dia de folga - o laudo foi encaminhado pelo juiz da 5ª Vara, Roldão Oliveira Neto, à Procuradoria Geral de Justiça para as providências no âmbito do Ministério Público. Entretanto ? e a prova é a ocorrência de novas mortes ?, nada foi feito para sanar as deficiências detectadas pelo peritos do IC. Indagado sobre os resultados do processo encaminhado pela Justiça, o procurador-geral, Dilmar Camerino pediu tempo para buscar informações junto à promotoria responsável antes de falar sobre o caso. No laudo, os peritos dizem que, além dos problemas no projeto de construção da estrada e da falta de sinalização, a inadequada localização do açude ou lagoa de vinhaça é que provocou os dois acidentes. O fato é de natureza grave, já que há omissão e responsabilidade também do poder público. A perícia afirma que o projeto foi elaborado e executado de forma incorreta. Fim das buscas Depois de retirar toda a água da lagoa onde o ônibus caiu, os soldados do Corpo de Bombeiros, que resgataram os sete corpos, trabalhavam ontem para tentar localizar outros corpos - o que não ocorreu - e suspenderam a busca. Já o delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho, confirmou que a empresa de transportes e a usina podem ser responsabilizadas pelo acidente e pelas mortes. Ele lamentou o acidente, mas deixou claro que a DRT tem cumprido suas atribuições, apesar da deficiência de fiscais para uma atuação mais rigorosa. Na Delegacia de Alagoas, informa Coelho, apenas 42 fiscais são responsáveis pelo cumprimento das normas trabalhistas em todo o Estado.