Cidades
Tombamento de Marechal n�o saiu do papel
FÁBIA ASSUMPÇÃO Mesmo com a desfeita de ter sido retirada do roteiro de visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cidade de Marechal Deodoro preparou uma grande festa para comemorar o dia 15 de novembro, data da Proclamação da República, com a presença confirmada do governador Ronaldo Lessa. Às 8 horas haverá o hasteamento das bandeiras em frente ao Palácio Provincial com a orquestra filarmônica da Sociedade Carlos Gomes. Logo em seguida será realizado um desfile aberto até a casa do Marechal Deodoro, com as bandas Santa Cecília, Carlos Gomes e Manoel Alves que vão tocar os Hinos da República e o Nacional. Tombamento O secretário de Cultura de Marechal Deodoro, Lúcio Santos, disse que mais do que a festa, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria uma oportunidade para fortalecer a luta pelo tombamento da cidade pelo Patrimônio Histórico Nacional. ?Gostaríamos que com a visita do presidente, ele se sensibilizasse com o estado deplorável e a descaracterização de alguns monumentos históricos da cidade?. Patrimônio histórico Ao lado de Penedo e Porto Calvo, Marechal Deodoro possui um dos mais ricos acervos arquitetônicos do Estado. Entre eles estão o conjunto do Carmo, a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, Igreja do Amparo, a Casa de Câmara e Cadeia ? que já foi reformada numa primeira etapa. A maioria se encontra quase em ruínas e os que ainda se mantêm sobrevivem graças aos esforços do próprio município, que vem recuperando com recursos próprios alguns monumentos históricos. O convento de Santa Madalena, que abriga o Museu de Arte Sacra, apresenta grandes rachaduras nas paredes. Sem ajuda do governo federal e de organismos internacionais e até privados, Lúcio Santos disse que é impossível para a prefeitura sozinha arcar com a recuperação desse patrimônio. O secretário calcula que para a recuperação de todo o acervo histórico da cidade seria necessário cerca de R$ 12 milhões. ?Com o tombamento pelo Patrimônio Nacional, a cidade poderia entrar no Projeto Monumenta, de recuperação e conservação de acervos históricos, coordenado pela Unesco e BID, além de poder receber ajuda de empresas privadas que atuariam como mecenas?. A cidade foi tombada pelo poder público municipal em 1975 e em 1993 pelo Patrimônio Histórico Estadual. Segundo o secretário Lúcio Santos, a fiscalização hoje é feita pelo Estado em relação à descaracterização de alguns casarios da cidade. ?Se juntarmos as três instâncias, governo do Estado, o município e a equipe do Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) poderemos fortalecer esse trabalho?.