Cidades
PF ca�a sonegadores do setor de bebidas do NE
Brasília - A Operação Catuaba caça sonegadores do setor de bebidas no Nordeste e cumpre 83 mandados de prisão expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Campina Grande (PB). Entre os presos está Daniel dos Santos Moreira, dono da engarrafadora Coroa, fábrica da Catuaba, uma das bebidas mais populares do país. Com Daniel e familiares dele, a PF apreendeu um Jaguar, dois Mercedes e um avião Carajá com ca-pacidade para transportar oito pessoas. A Justiça Federal também determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de todos os envolvidos. Entre eles estão sócios e funcionários da Coroa e servidores públicos, em sua maioria de secretarias de Fazendas estaduais e funcionários de bancos. As ações de buscas e apreensões e prisões se estendem a nove estados (Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Goiás). Ao todo, estão sendo realizadas operações em 32 municípios, com a participação de aproximadamente 300 policiais federais e 50 auditores da Receita Federal. Selos adulterados As investigações tiveram início em 2001, quando a Receita apreendeu uma grande quantidade de bebidas sem selos de controle e com selos de controle falsos em diversos estabelecimentos atacadistas e varejistas de Pernambuco, Bahia e Maranhão. Posteriormente, com a formação de uma força conjunta, as investigações foram aprofundadas, desvendando todo o esquema. Os envolvidos são suspeitos dos crimes de sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e falsificação de documentos. Segundo a Receita, a contabilidade e as declarações dos contribuintes pessoas jurídicas e pessoas físicas ligados ao grupo estão sendo rigorosamente analisadas para permitir a cobrança dos tributos eventualmente sonegados. Engarrafadora A engarrafadora Coroa é uma das maiores fabricantes de bebidas do país e tem um faturamento anual calculado em R$ 500 milhões. Segundo a PF, a empresa vendia catuaba em vários estados do país sem recolher devidamente os impostos. O dono da empresa e os funcionários são acusados de subornar policiais rodoviários e fiscais estaduais para transportar a mercadoria com notas fiscais subfaturadas ou com selos de recolhimento de impostos falsos. ?Pela magnitude da sonegação e pelo que as investigações revelam, trata-se de uma organização criminosa com bastante potencial, com alto poder de corrupção, haja vista o grande número de servidores públicos envolvidos?, afirmou o delegado Joaquim Mesquita, porta-voz da operação.