Cidades
Guerra em condom�nio acaba em tapas e pris�o
FÁTIMA ALMEIDA Cerca de 70 por cento das mais de 27 mil ações em tramitação nos juizados especiais de Maceió envolvem questões de condomínio. Desentendimentos sobre taxas, contas, serviços, síndicos que querem se perpetuar no mandato, condôminos que ignoram as regras ou que se recusam a pagar sua parte; ações de cobrança fazem parte da difícil convivência, que muitas vezes acaba em baixaria e outras, em agressão física. Nem sempre a livre negociação e a política da boa vizinhança funcionam. Boa parte dos casos de condomínio vai parar mesmo na delegacia ou na mesa de algum juiz. O volume maior está nas varas especiais da Ponta Verde e Jaraguá, que recebem a demanda da região da orla e adjacências, onde o número de condomínios também é maior, mas no Farol também há um volume considerável de ações de cobrança de condomínios, que cresce a cada dia. A demanda é tanta que, na opinião do juiz coordenador dos juizados especiais, Paulo Zacarias, poderia justificar uma vara específica para tratar desses assuntos. ?Há muitos conflitos entre condôminos e síndicos. Uma verdadeira guerra?, afirma ele. Zacarias já tomou conhecimento de casos de ofensas, tapas e outros tipos de agressão física e já julgou até um caso de tentativa de homicídio por causa de briga de condomínio. As ocorrências mais freqüentes são de condôminos que não pagam as taxas de condomínio, síndico que quer se perpetuar no cargo e falta de prestação de contas. Prisão O caso mais recente que chegou ao conhecimento do juiz aconteceu na semana passada. A síndica do condomínio Residencial Parque Jatiúca, Maria do Socorro Fernandes da Silva, foi presa por se negar a apresentar, em juízo, documentos que já vinham sendo solicitados pelos condôminos e que são peça de uma pendenga que já dura meses e que já chegou até ao Tribunal de Justiça. Fora das salas de conciliação e julgamento e dos despachos judiciais, a briga pode ser contada em páginas e mais páginas de impressos que circulam internamente no condomínio, com informações, reclamações, denúncias, defesas, cartas abertas, pautas de assembléias e reuniões, termos de compromisso não cumpridos e uma série de capítulos de uma história que representa bem os conflitos de condomínio. A reportagem da GAZETA esteve no Residencial Parque Jatiúca durante uma manhã, sentindo o clima de uma disputa acirrada. Conversou com um grupo de moradores do condomínio, colheu uma série de queixas e denúncias, mas não conseguiu falar com a síndica. Maria do Socorro Fernandes ilustra bem os casos citados pelo juiz Paulo Zacarias, de síndicos que se agarram ao cargo e dão trabalho para deixá-lo. Ela ocupa a função de síndica do condomínio Parque Jatiúca há 11 anos. Entrou como substituta do antigo síndico, em 1993, e foi ficando, mantendo-se pelo reconhecimento de alguns às melhorias implantadas, e com a acomodação de todos que deixaram o tempo passar sem nada cobrar, nem mesmo a prestação de contas. Continua na página 15