Cidades
Cadastros do Bolsa-Fam�lia mofam em Rio Largo
FÁTIMA ALMEIDA Uma enorme caixa empoeirada, num cantinho da sede do Programa Bolsa-Família, no município de Rio Largo, guarda o que, para muitos, seria a principal fonte de renda: os cadastros para a emissão dos cartões e pagamento de benefícios sociais do governo federal destinados a pessoas com renda inferior a R$ 50. Os documentos, que deveriam ter sido enviados ao Ministério do Desenvolvimento Social, estão ?mofando? há três, quatro anos e sequer foram digitados. Pior, estavam amontoados como arquivo morto. ?Tinha até escorpiões?, garante o presidente da Associação dos Moradores do Parque Santa Tereza, Fernandes Batista, que, com uma agente de saúde, encontrou, há poucos dias, os cadastros perdidos. Nas fichas preenchidas entre 2000/2001, cerca de 130 famílias, muitos conhecidos de Fernandes Batista, a exemplo de Poliana Alves dos Santos, Wesley Correia da Silva, Maria Roseana dos Santos e Maria da Conceição, todas donas de casa, com filhos pequenos, marido desempregado e vivendo de biscates. Quando se cadastrou no Bolsa-Alimentação, Poliana estava amamentando o filho de três meses. Desempregada e sem renda, tinha direito ao benefício, ela e o bebê, o que daria R$ 30 por mês, mais R$ 15 a cada dois meses, referentes ao auxílio-gás. O filho já vai completar quatro anos e a família já ganhou outro bebê, mas até agora nada de benefício. Há dois meses, o marido arrumou serviço como ajudante de pedreiro, mas mesmo assim a família continua na faixa de renda que deveria ser beneficiada. Situação semelhante vive a família de José Apolinário dos Santos. Ele passou grande parte de seus 66 anos trabalhando em usinas, no corte de cana e limpando mato. Depois adoeceu e há cerca de quatro anos não trabalha. Recebe o benefício de um salário mínimo (R$ 260), do qual tira R$ 150 para pagar a prestação de um terreno onde montou um barraco para abrigar a família: a mulher, Maria da Conceição, 37 anos, desempregada, e os três filhos de 11, 8 e 5 anos de idade. Há cerca de três anos Maria da Conceição cadastrou os filhos para receber benefícios do Bolsa-escola e Bolsa-alimentação, que nunca chegaram.