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Negro alagoano sofre exclus�o escolar e profissional

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FERNANDO COELHO Cento e dezesseis anos após a extinção oficial da escravidão, não é novidade que o período de segregação racial tenha deixado cicatrizes profundas em todo o Brasil, inclusive em Alagoas. Mas qual é, de fato, a situação dos negros no Estado que se orgulha de ter sediado o Quilombo dos Palmares, o maior símbolo da resistência negra na História do país? Nas vésperas do Dia da Consciência Negra (comemorado no próximo dia 20), a GAZETA apurou dados e pesquisas sobre a inserção do negro alagoano na universidade pública e no mercado de trabalho. Segundo o último censo do IBGE, 46% da população brasileira é formada por afro-descendentes, classificados como negros e pardos. Em Alagoas, esse percentual sobe para 68,8% e, na mesma proporção, aumentam os índices de exclusão social em relação à população branca. A Secretaria de Defesa e Proteção das Minorias (Sedem), o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), sociólogos e personalidades locais avaliam o impacto e as conseqüências do polêmico sistema de cotas para universidades públicas proposto pelo MEC e já adotado pela Universidade Federal de Alagoas. De outro lado, alguns dos principais representantes negros a ocupar importantes cargos públicos no Estado, falam de sua trajetória e experiência durante a vida escolar e profissional. Mercado de trabalho A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios ? PNAD, realizada pelo IBGE em 2003, apontou Alagoas como a unidade da Federação com maior índice de analfabetismo entre a população negra. Enquanto 23,2% dos brancos alagoanos são analfabetos, entre os negros o percentual é de 50%. Considerando a parcela incluída nos índices de analfabetismo funcional, os números aumentam ainda mais. Em todo o Estado, apenas 1,2% dos negros adultos tiveram 12 anos ou mais de vida escolar, tempo mínimo necessário para ingressar na universidade. O censo complementar de 2002 afere que apenas 3,4% da população negra e parda alagoana, na faixa dos 15 aos 24 anos, possui ou está matriculada em um curso superior. Os dados sobre inserção no mercado de trabalho reforçam o histórico quadro de exclusão: 54,3% de afro-descendentes alagoanos exercem alguma atividade de ocupação. No entanto, mais da metade ganha até 1 salário mínimo e apenas 1,2% são empregados. A situação é mais grave no tocante às diferenças salariais. A última pesquisa do IBGE (de 2002) assinalou que um empregado branco sem carteira assinada ganhava, em média, 73,01% a mais do que um negro no mesmo tipo de ocupação. A diferença aumentou entre os trabalhadores autônomos (médicos, advogados e outros profissionais liberais, incluindo também vendedores ambulantes). Os brancos com esta ocupação recebiam, em média, 79,05% a mais que os negros. Já nas funções com carteira assinada, a diferença ainda é considerável, mas diminui para 60,6%.

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