Cidades
Preso da Anaconda � internado em Macei�
GILVAN FERREIRA O delegado aposentado da Polícia Federal Jorge Luiz Bezerra da Silva, preso pela Operação Anaconda e acusado de ser integrante de uma quadrilha de venda de sentenças judiciais em vários estados do país, foi transferido ontem para a Unidade do Coração do Hospital Arthur Ramos, no Farol. Bezerra, que estava preso em São Paulo desde o ano passado, foi transferido, por ordem judicial, na última quarta-feira, para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Alagoas. Como apresentava problemas de saúde, foi levado de madrugada para receber atendimento médico no Hospital Arthur Ramos. O cardiologista Ricardo César, responsável pelo primeiro atendimento ao delegado Bezerra, disse que vai divulgar hoje um boletim médico com informações sobre o estado de saúde do delegado federal, que está sendo mantido sob rigorosa vigilância de agentes federais. Jorge Luiz Bezerra foi levado para o apartamento 421 e deve permanecer internando até uma melhora no seu quadro de saúde, que, segundo policiais que acompanharam a transferência para o hospital, parecia ?estável?. Pedido da família O pedido de transferência de Bezerra, conforme apurou a GAZETA, foi feito pela família, que reside em Maceió, sob o argumento da necessidade de acompanhar seu tratamento. A Justiça Federal concedeu a transferência. Um ano depois de ter sido preso, Bezerra apresentou uma série de problemas cardíacos que provocaram seu internamento em um hospital de São Paulo. O delegado alagoano Jorge Luiz Bezerra da Silva foi preso no ano passado durante a Operação Anaconda (leia reportagem nessa página), que foi responsável pela desarticulação da quadrilha responsável pelo esquema de venda de sentenças judiciais. O superintendente da PF em Alagoas, Rogério Cota, afirmou à GAZETA que não sabe por quanto tempo Bezerra ficará na carceragem da PF alagoana, nem deu maiores detalhes de como foi a transferência do preso, alegando que só a direção nacional da PF poderia falar. O Estado de Alagoas foi a base inicial de apoio da quadrilha, que também agia em São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e outros estados. Os chefões Além do delegado Jorge Luiz Bezerra, a Operação Anaconda, desencadeada em Alagoas, prendeu os juízes federais João Carlos da Rocha Mattos ? que chegou a ficar preso em cela especial da sede da Polícia Federal em Alagoas, no bairro de Jaraguá, por um mês ? Casem Mazloum e Ali Mazloum, os delegados federais José Augusto Bellini e Dirceu Bertin, o agente da Polícia Federal, César Herman Rodriguez, a esposa do juiz Rocha Matos, Norma Cunha, os advogados Carlos Alberto da Costa Silva e Affonso Passarelli Filho e os empresários Sérgio Chiamarelli Júnior e Wagner Rocha. Os acusados continuam presos em São Paulo e Brasília. Gravações sigilosas A Polícia Federal chegou aos acusados depois de conseguir autorização da Justiça Federal para gravar as conversas telefônicas do delegado Bezerra, que foi denunciado por um agente da superintendência da Polícia Federal em Alagoas, que teria recebido uma ?proposta? do delegado para participar do esquema. As gravações telefônicas levaram a Polícia Federal aos outros integrantes do grupo, que vinha agindo há mais de dois anos em vários estados do país. As investigações da Polícia Federal foram acompanhadas pelo Ministério Público Federal, que denunciou 12 dos envolvidos com a quadrilha. Os três delegados federais acusados de envolvimento com a quadrilha foram afastados das funções.