Cidades
Morte de aluno-bombeiro come�a a ser elucidada
FÁTIMA ALMEIDA O juiz auditor militar James Magalhães confirmou ontem que o julgamento sobre a morte, há dois anos, do estudante do curso de formação do Corpo de Bombeiros Emerson Luiz de Cerqueira deve ser marcado para dezembro. O anúncio foi feito pelo juiz após vistoria técnica no local onde teria acontecido o afogamento de Emerson, durante treinamento subaquático em trecho da Lagoa Mundaú, no Pontal da Barra. Durante cerca de uma hora, o juiz e o promotor militar Carlos Alberto Torres estiveram no local do treinamento, acompanhados de membros da Justiça Militar, do advogado Antônio Andrade e do Corpo de Bombeiros, inclusive os sargentos José Alexandre do Nascimento e José Nelson Menezes, e o tenente CB Wellington Santos, responsáveis pelo treinamento no dia em que Emerson morreu. Nelson e Wellington estão citados em Inquérito Policial Militar (IPM) ? com base em perícias e depoimentos ? por responsabilidade culposa (não intencional) na morte do estudante, por afogamento. A comitiva acompanhou as explicações do tenente-coronel CB José Berilo Ferreira Cruz, autor do IPM. ?Já temos todos os depoimentos e informações técnicas nos autos. Essa audiência teve como objetivo visualizar melhor o que ocorreu no local, estabelecendo uma noção mais definida de detalhes como a distância percorrida na água?, explicou o promotor Torres. Ele mostrou o local onde os alunos começaram a aula; a distância que Emerson ficou em relação aos colegas; o percurso que ele cumpriu ? depois de ter demonstrado, nos primeiros 30 metros, que não tinha condições para o treinamento ? como foi resgatado e para onde foi levado. ?O processo fala em distâncias. Aqui pudemos visualizar, traduzir por aproximação o que estava escrito. Essas demonstrações vão ajudar no julgamento?, reconhece o coronel Rubens Goulart, presidente do Conselho de Justiça. Protesto Familiares e amigos de Emerson acompanharam a vistoria e fizeram uma manifestação silenciosa, com faixas de protesto: ?Não omitam fatos. Mostrem a verdade?. Há dois anos e quatro meses o pai de Emerson, José Edilson Cerqueira, funcionário dos Correios, não faz outra coisa senão lutar por justiça pela morte do filho. Edilson estava nervoso diante da comitiva. Era a primeira vez que ficava frente a frente com os instrutores do treinamento que, segundo ele, deixaram seu filho morrer ? os sargentos Alexandre e Nelson e o tenente CB Wellington Santos. ?Meu filho morreu por omissão de socorro, e os responsáveis devem ser condenados por homicídio doloso, porque viram que ele estava morrendo, assistiram à sua agonia e lhe negaram socorro no tempo certo?, disse o pai.