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Medo muda rotina e provoca pacto de sil�ncio

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BLEINE OLIVEIRA A GAZETA tentou conversar com personagens que já tenham passado pela dramática situação de um assalto ou seqüestro, mas foi uma difícil missão. Em alguns casos, o medo da violência é tão intenso que as vítimas e seus familiares se recusaram a fazer qualquer comentário. É o caso da família de Mariane Rodrigues Silva França, que no início deste ano passou oito dias num cativeiro montado numa casa do conjunto Inocoop, no Tabuleiro. Seqüestrada no dia 26 de abril, por volta das 19 horas, quando saía da faculdade, no bairro de Ponta Verde, a estudante só foi libertada no dia 3 de maio, quando a polícia conseguiu prender um dos três seqüestradores e chegar ao local onde Mariane estava presa. ?Não há por que ficar lembrando de coisa ruim!?, afirmou Liane França, uma das irmãs da estudante seqüestrada, antes de dizer que ninguém da família falaria sobre o episódio. Liane não revelou qualquer detalhe sobre o comportamento de Mariane após o seqüestro, mas chegou a afirmar que todos na casa estão ?vivendo normalmente?. A única orientação, tanto para os familiares quanto para os amigos, é de que não façam qualquer comentário sobre o que ocorreu. ?Queremos que ela esqueça. Por isso, depois que tudo passou, nunca falamos sobre o assunto?, acrescenta Liane. Celular mudado Reação semelhante têm os familiares e pessoas ligadas aos estudantes Carlos Henrique Dâmaso, Alex Cícero de Mendonça Alves e ?Celsinho? Pontes de Miranda. Novos números para os aparelhos celulares, mudança na rotina, do tipo alternar rota por onde costumam trafegar, não freqüentar os mesmos lugares e não ficar fazendo comentários sobre o seqüestro, principalmente em ambientes públicos, são medidas adotadas pelas vítimas ? seguindo, inclusive, orientação da polícia. Já em casa, onde se recupera dos tiros que quase o mataram, o economista Carlos Fernando Stuart Buriti Filho, vítima de seqüestro relâmpago no início de outubro último, segue a recomendação da família e suspende a entrevista na qual falaria sobre o episódio. ?Peço desculpas, mas meus pais e meu irmão preferem que eu não fale agora. Num outro momento posso dar entrevistas, agora não!?, disse Carlos Stuart, com uma voz tranqüila, em tom educado, admitindo que pessoalmente não teria problemas em relembrar o que aconteceu, mas que prefere seguir a orientação dos familiares. Depois de passar quase um mês internado no Hospital Universitário sob segurança de policiais militares, e sofrer duas cirurgias, o economista tenta voltar à vida normal. No último fim de semana, assistiu, com um grupo de amigos, ao jogo do Botafogo, seu time preferido, contra a equipe do Coritiba. Os quatro gols da vitória botafoguense foram comemorados de forma contida, temendo até o entusiasmo dos amigos que, no impulso eufórico, tentavam abraçá-lo.

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