Cidades
Plano de fuga tinha falsa fam�lia da traficante
A traficante Maria Luiza Almeirão, a Branca, continua cumprindo pena no presídio da Papuda, em Brasília. Branca havia sido presa pela Polícia Federal, em uma fazenda de refino de cocaína na região do Alto Araguaia, no Sul do Pará. A área de refino de cocaína era comandada pelo Cartel de Cáli. Considerada uma das mais atuantes integrantes do Cartel de Cáli no Brasil, Branca foi condenada a 21 anos de prisão. Antes de ser transferida para Alagoas, a traficante tinha cumprindo pouco mais de um ano de prisão. Na época da transferência de Branca para a cadeia pública de Atalaia, o juiz Geraldo Palmeira era titular da Vara Criminal de Cuiabá. Palmeira alegou, no seu despacho, que a traficante tinha parentes no município alagoano e, por isso, poderia cumprir a pena no Estado. Falsos parentes O relatório das investigações da Polícia Federal comprovou que a traficante não tinha nenhum parente em Alagoas, que apenas serviria de rota para a sua fuga. Segundo o Ministério Público, o juiz Geraldo Palmeira utilizou sua influência em Alagoas para, supostamente, facilitar a transferência da traficante. Palmeira teria dado o nome de uma fazenda de sua família, conhecida como ?Galinha Gorda?, em Atalaia, como sendo de propriedade de uma irmã da traficante de Branca. O relatório do MP afirma que um parente do juiz Palmeira teria falsificado documentos da fazenda para facilitar o plano, que contaria com a participação de um oficial de Justiça de Atalaia e um advogado. Dois delegados da Polícia Civil de Alagoas são citados no processo, mas alegaram, em seus depoimentos, que foram ?usados? pelos juízes na farsa montada para a transferência de Branca. CPI do Narcotráfico A transferência ilegal da traficante Maria Luiza Almeirão, a Branca, foi investigada pela CPI do Narcotráfico, instalada em 1999 e concluída em dezembro de 2000. No relatório da CPI aparecem os nomes de quatro juízes, dois deles ? Sérgio Persiano e Daniel Aciolly ? supostamente envolvidos na transferência da traficante. Daniel Aciolly entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para trancar ação no Tribunal de Justiça de Alagoas. O atual presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Washington Luiz, é o relator do processo contra o juiz Daniel Aciolly.