Cidades
OAB sugere entrega de armas fora de delegacias
FELIPE FARIAS Para o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Everaldo Patriota, o erro fundamental que está por trás do fracasso da campanha pelo desarmamento no interior é justamente o lugar destinado para recebê-las. ?O homem do interior não vai entregar sua arma numa unidade policial. Ele não tem consciência de que ter essa arma, mesmo que em casa apenas, sem ser registrada, é ilícito. E ele não se sente encorajado a procurar seja uma delegacia, seja um quartel da PM, para entregar sua arma?, diz. Para ele, os locais de entrega no interior deveriam ser em outros locais, como igrejas, clubes de serviço ou emissoras de rádios e instituições e entidades que os encorajassem a deixar suas armas. ?Quando o ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) esteve em Alagoas e manifestou sua preocupação com o desempenho da campanha no interior, nós nos dispusemos a colocar as unidades da OAB no interior para funcionar como locais de entrega das armas?, relata. Fora de Maceió Fora de Maceió, a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil mantém subseções em Arapiraca, Palmeira dos Índios, Penedo, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos e União dos Palmares. ?Deve haver um trabalho de divulgação diferenciado da campanha para o interior?, endossa o coordenador geral da Comissão de Direitos Humanos da entidade, advogado Narciso Fernandes, para quem a mídia repercute melhor na capital. ?No interior, a divulgação teria de ser feita em lugares como igrejas, escolas, nas delegacias e, principalmente, nas feiras livres ? que são os locais de maior concentração popular?, acrescenta. Atualmente, funcionam como locais de recolhimento apenas as delegacias da Polícia Civil e as unidades do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, como batalhões e companhias. ?Só na última quinta-feira recebemos oito armas vindas do interior?, alegou o coronel PM Jorge Coutinho, comandante do policiamento do Interior da corporação. Para ele, não tem havido problemas no recolhimento, mas, ainda assim, foi marcada uma reunião com os comandantes de todas as treze unidades da PM no interior. O oficial sugere que uma forma de estimular o aumento da entrega de armas seria estabelecer uma meta a ser atingida, a exemplo da superação de um recorde. ?Sempre que mexe com os brios, você consegue respostas mais efetivas?, ensina. Ritmo da campanha Desde o início da campanha pelo desarmamento, em meados de julho, até a última sexta-feira, a Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal em Alagoas, que concentra o recolhimento, tinha recebido 3.198. Com as vinte que chegaram até o início da tarde, o total de pistolas, espingardas, revólveres e armas de fabricação caseira recebidas, chegou a 3.218. Entretanto, a quantidade que veio do interior não chegou a 200 armas, desde o princípio, ?no máximo?. Das vinte que foram entregues no começo da sexta-feira, por exemplo, apenas quatro tinham vindo do interior. De acordo com agentes da PF em Alagoas, a média de armas que chega à Delegacia procedentes de fora da capital não chega a uma por dia, enquanto que diariamente são entregues de 18 a 20 armas provenientes de Maceió. Mas, segundo a PF, o próprio ritmo de recolhimento tem caído. No mês de julho, quando a campanha começou, a Delegacia de Defesa Institucional chegou a receber 170 armas num único dia; o maior volume de entrega registrado até agora. Passados os primeiros meses, porém, a campanha não voltou a registrar mais um volume de entrega tão grande.