Cidades
Farol e Tabuleiro s�o op��es para classe m�dia
FERNANDO COELHO Se os mais ricos vão para o litoral, qual o destino da classe média e das camadas mais pobres da cidade? Segundo os próprios construtores e técnicos do Plano Diretor, a classe média deve continuar ocupando as áreas, hoje vazias, do Stella Maris e retomar o crescimento do Farol. Já a classe média baixa deve povoar os conjuntos habitacionais no Tabuleiro, enquanto os mais pobres vão prosseguir no processo de ocupação dos vales de Maceió. Moacir Brêda, da Ademi, acredita na Via Expressa e no Tabuleiro como bairros para a construção de habitações populares. ?Tem ainda a retomada de crescimento no Farol, graças ao novo código de edificação que possibilitou o aumento de andares nos novos prédios?, analisa. O Stella Maris é visto pelo vice-presidente como uma região de grande potencial, ?tendo em vista que apenas 50% de sua área está ocupada?, explica. A opinião é parcialmente compactuada por Mário Dias, que assinala a perda da majestade de alguns bairros nobres. ?A Ponta Verde está saturada. Morar no bairro, hoje, é um suplício, principalmente pela falta de segurança?. O construtor Araújo Barros aponta a Gruta, a Serraria e a Via Expressa como regiões onde serão construídos apartamentos de três quartos a preços acessíveis, típicos para a classe média baixa, mas não acredita na desvalorização dos atuais bairros nobres. ?Imóveis na Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara serão ouro em pó. Quem puder comprar, que compre logo?, aconselha. Para Wagner Andrade, da Record Engenharia, é preciso criar parcerias entre as construtoras e o poder público gerar condições de investimentos nessas outras regiões. ?Nossa cidade tem que ser vista como um grande negócio e como bom negócio têm que ser apreciados os pontos fortes para trazermos investidores e fazer destes pontos fontes de arrecadação para as regiões menos favorecidas?, analisa. A Secretaria de Planejamento estima que, dependendo do nível de degradação ambiental, a qualidade de vida pode cair nos bairros mais caros da capital. ?Ainda dá tempo de você evitar que a Ponta Verde se transforme em uma Boa Viagem [um dos mais badalados bairros de Recife], que hoje está desvalorizada pela queda na qualidade de vida?, diz a arquiteta Carmem Tavares, uma das coordenadoras do Grupo Gestor do Plano Diretor. Segundo os primeiros diagnósticos do Plano, a situação complica mesmo para os menos favorecidos, fadados ao sobe e desce das encostas. ?Uma reprodução da ocupação no Vale do Reginaldo está se repetindo nas regiões cortadas por nascentes, no Tabuleiro. É a favelização da cidade?, completa.