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Cota para negros frustra candidatos ao vestibular

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BLEINE OLIVEIRA O estudante Carlos Soares, 19 anos, ficou frustrado ao saber que a concorrência para o curso da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que escolheu é pelo menos 13 vezes maior no sistema de cotas para afro-descendentes (negros e pardos). ?Não entendo. A informação que recebi é de que seria mais fácil entrar na universidade optando pela cota!?, exclamou ele, antes de voltar para a sala de aula, no Colégio Moreira e Silva, no Cepa, onde cursa a 3ª série do Ensino Médio. Carlos vai enfrentar o concurso vestibular pela primeira vez e, ao se inscrever para o curso de Educação Física noturno, optou pelas vagas reservadas para afrodescendentes. Mas a opção não o favoreceu. No curso que Carlos Soares escolheu, foram reservadas seis vagas para afrodescendentes, e destas, quatro são para mulheres. Restam duas vagas para candidatos do sexo masculino. Para disputá-las, estão inscritos 55 candidatos. A concorrência pelo sistema de cotas aumentou para 27,50 candidatos para cada vaga. ?No final de tudo, minhas chances diminuíram ainda mais?, lamenta o estudante. Os não optantes somam 355 candidatos e vão disputar 24 vagas, numa concorrência de 14,79 concorrentes por vaga. O caso do estudante Carlos Soares revela como a desinformação sobre a resolução nº 09/2004 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Ufal, que instituiu o Programa de Políticas Afirmativas para Afro-descendentes no Ensino Superior na Universidade Federal, confunde os alunos da rede pública e todos aqueles que podem se beneficiar dela. A maioria se posiciona contra a cota para negros e pardos, afirmando que ela representa uma discriminação. ?Os negros já viveram até hoje sem isso, não vejo necessidade?, afirma a estudante Pauliane Greyce Bento da Silva, de 17 anos, aluna do 2º ano do Ensino Médio na Escola Moreira e Silva, no Cepa. Ela só fará o vestibular no próximo ano, mas já decidiu que não optará pela cota. Para Pauliane, que não sabe explicar porque faz essa avaliação, a reserva é discriminatória. A opinião é partilhada pelo estudante Jeyson Silva Santos, de 17 anos, também do Moreira e Silva. Ele vai disputar uma vaga para o curso de Educação Física noturno, mas não optou pela cota de afrodescendente. Colega de turma de Jeyson, o estudante Carlos Soares não é favorável à reserva de vagas mas acha que o sistema pode favorecer negros e pardos. ?Acho que o melhor seria investir mais no ensino médio. Isso sim aumentaria nossas chances de concorrer?, afirma Carlos.

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