Cidades
Corpo � encontrado em fazenda de Rio Novo
EDNELSON FEITOSA O corpo da professora Maria Gonçalves Costa foi localizado numa área de difícil acesso, na Fazenda Vale Verde, em Rio Novo, por um funcionário da propriedade que foi recolher o gado, por volta das 5 horas da manhã de ontem. ?Na manhã de domingo, quando o gado foi colocado no pasto, o corpo não estava aí. Acho que foi colocado no final da tarde ou início da noite?, disse o administrador da fazenda, Sebastião Augusto da Silva, 58. Segundo ele, pouca gente sobe a ribanceira onde o cadáver foi achado. ?O vaqueiro foi lá porque precisava recolher o gado?. Segundo ele, no local, que fica muito próximo da Ladeira do Catolé, não ocorrem ?desovas? há pelo menos sete anos. A professora Rafaela Jatobá, 23, não acredita na hipótese de que sua amiga e colega de faculdade tenha sido seqüestrada e assassinada por assaltantes. ?Deve haver alguma coisa mais?, disse ela. De acordo com Rafaela, Maria Costa era muito estudiosa e não era namoradeira. Os estudos sempre foram sua prioridade. ?Ela era uma pessoa consciente do que queria. Um pouco ingênua é bem verdade, característica que herdou da mãe, mas uma batalhadora?, assinalou Rafaela. ?Ela não queria se envolver amorosamente com ninguém. Queria terminar os estudos primeiro. Por isso, lutou muito, logo após a conclusão do curso até adquirir uma bolsa para fazer pós-graduação. Gostava de estudar horas e horas. Como sobrava pouco tempo, preferia dar aulas de reforço, evitando participar de festas e baladas?, continuou. Rafaela advertiu que considerou estranho ter tentado falar com Maria, durante todo dia de domingo sem que ela tenha atendido a ligação pela linha de casa, nem pelo celular. Na manhã de ontem, os irmãos constataram que o telefone residencial está mudo e que seu celular chama e ninguém atende. Veículo suspeito O irmão de criação de Maria, Klemisson Cordeiro dos Santos, procurou saber dos vizinhos o que teria acontecido. ?Ninguém soube dizer nada, somente um rapaz afirmou ter visto ela saindo com um ?cara? de cor branca, estatura mediana, magro, num veículo de cor vermelha que poderia ser um Escort ou um Gol?, disse Klemisson. Após prestar queixa na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (Ciapc III), em Cruz das Almas, Klemisson procurou ajuda dos irmãos. Hildebrando Gonçalves Costa, 30, foi de imediato para a casa da professora, que fica vizinho de sua firma de conserto de máquinas copiadoras. ?Eles não mexeram em nada na firma, mas na casa dela levaram seus objetos de maior valor, como TVs e DVD?, informou ele. Hildebrando acredita na hipótese de assalto, seguido de seqüestro, estupro e assassinato. ?Minha irmã não tinha um relacionamento estável com ninguém. Sua vida era estudar, fazia isto o tempo todo. Não existe uma pessoa que tenha qualquer queixa dela. Não pode ter havido um motivo para o crime, senão um ato de barbárie praticado por bandidos?, disse Hildebrando. Reencontro Cristina Rocha, 36, professora e amiga de Maria Costa, disse que ela teria lhe confessado, na semana passada, que se reencontrou com o militar Luciano ? que não foi apresentado por Maria à família e nem às amigas - há quinze dias durante um show da banda Calcinha Preta, no Parque da Pecuária. Eles teriam se encontrado e ficado juntos. Inclusive, sumiram durante a noite toda. A notícia do reencontro foi dela própria, quando comentava com Cristina e Rafaela sobre o show. ?Novamente, ela garantiu que ficou com ele, mas que não queria nada sério com o militar?, garantiu Cristina. Segundo os irmãos, Maria tinha um contato mais próximo com o irmão Klemisson e nem ele sabe direito quem é Luciano e se este realmente é seu verdadeiro nome. ?Ele aparecia e desaparecia?, admitiu o rapaz, ressaltando ser esse um dos motivos que levava a irmã a não querer se apegar ao namorado. Mas toda vez que ele chegava a Maceió procurava a professora.