Cidades
PF deporta africanos clandestinos em Alagoas
GILVAN FERREIRA A Polícia Federal (PF) deportou, ontem, dois africanos que chegaram a Alagoas clandestinamente, no último mês de setembro, no navio de bandeira portuguesa Íris C. Joseph Sigakai e Miltous Magaia, que foram presos pela PF quando deixavam o navio Íris C, disseram que fugiram de Serra Leoa ? na costa ocidental da África ? para escapar do conflito político no país. Por intermédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os dois serra-leoneses pediram refúgio no Brasil. O pedido foi encaminhado ao Comitê Nacional para Refugiados (Conare), órgão ligado aos Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, que negaram a presença dos africanos no país, sob alegação de que as informações repassadas por Sigakai e Magaia não foram comprovadas e os dois deveriam deixar Alagoas. Segundo a Superintendência da Polícia Federal, o Conare é o órgão responsável pela análises dos pedidos de reconhecimento da condição de refugiados, da declaração de perda dessa condição e pela coordenação das ações de apoio, proteção, assistência e integração dos refugiados ao país. Ontem, o delegado executivo da Polícia Federal, Arivaldo Marques, e outros três agentes da PF embarcaram no Aeroporto Zumbi dos Palmares, para acompanhar Sigakai e Magaia de volta a Serra Leoa. De Maceió, a equipe da Polícia Federal embarcou para Recife e faria o roteiro Rio de Janeiro, Lisboa, Bruxelas e Serra Leoa. Antes de embarcar para Serra Leoa, Sigakai e Magaia, que chegaram a chorar na presença dos policiais federais, fizeram um apelo pela permanência em Alagoas. Os policiais federais comunicaram a situação jurídica deles e esclareceram que os pedidos não poderiam ser aceitos. Congolês Na presença do congolês Makuiza Sampy, 24, que chegou a Alagoas clandestinamente no navio Heidi II, a assessoria da Polícia Federal informou que a OAB encaminhou um pedido de visto de permanência, que começou a ser analisado pelo órgão. Enquanto a situação não for definida pelo Conare, Makuiza Sampy continuará detido em uma das celas da custódia da Polícia Federal. Sampy, que chegou a passar fome e sede no navio Heidi II, fugiu quando a tripulação desembarcou no Porto de Maceió . Sampy foi preso pela PF no município de Coruripe. No seu pedido de permanência no país, ele alegou que o Congo passa por uma guerra civil e a população passa fome. O processo deve ser concluído dentro de 40 dias.