Cidades
Protesto de taxistas fecha rodovias no litoral de AL
FÁTIMA ALMEIDA FÁBIA ASSUMPÇÃO Um protesto de taxistas do interior do Estado bloqueou, ontem pela manhã, o trânsito entre o Litoral Norte e Sul de Alagoas, deixando os acessos a Maceió isolados por cerca de quatro horas. Eles se revoltaram contra uma operação rodoviária de caça ao transporte irregular, que apreendeu dezenas de táxis que fazem o transporte de passageiros do interior para a capital. Os taxistas reclamam que são regulamentados e que foram confundidos com táxis-lotação. Eles queimaram galhos de árvores e o clima ficou tenso com a chegada da polícia. A medida foi determinada por liminar da juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública, Maria Ester Cavalcanti Manso, acolhendo uma ação de tutela antecipada impetrada pelas empresas de ônibus Real Alagoas, Veleiro, Real Arapiraca e RM Viação. Pela liminar concedida em favor das empresas, o governo do Estado seria penalizado com uma multa diária de R$ 1 mil, caso os táxis-lotação continuassem em circulação. A juíza considerou que os taxistas causam prejuízos às empresas. Segundo a magistrada, apenas os veículos de transporte complementar, registrados na Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal), são autorizados a fazer esse tipo de transporte. Durante o protesto, 120 taxistas tiveram documentos e chaves dos veículos apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal e por agentes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). O trânsito na AL-101 Sul só foi liberado no início da tarde, e na AL-101 Norte o bloqueio continuou até a noite. À noite, o governador Ronaldo Lessa informou que o governo recebeu denúncias de que taxistas estariam circulando em veículos com placas frias e que a fiscalização ao transporte clandestino vai continuar. A liminar, no entanto, segundo o governador, atingirá apenas os taxistas que estiverem irregulares. Prejuízos Estudantes, turistas, trabalhadores, pessoas doentes foram prejudicados. Uns, pelo impedimento de seguir viagem num táxi fretado, por causa da operação policial; outros, que foram obrigados a esperar horas na estrada, por causa do protesto, até que a rodovia fosse liberada. Passageiros de ônibus e transporte complementar tiveram que atravessar o trecho bloqueado a pé, e tomar outro transporte para chegar ao destino. O pároco de Cruz das Almas, Padre Tito, tinha uma audiência marcada com o juiz de Marechal Deodoro às 9h para resolver a situação de um menor, representando a Casa Dom Bosco. Ficou preso na ponte da Massagueira, das 8h30 até as 11 horas. Com o terço na mão, ele aproveitou o tempo e o tumulto para meditar. ?Tudo é justo. Devemos entender a necessidade de organização das categorias para as suas reivindicações?, disse. O turista paulista Osmar Zamur tinha outro entendimento. ?Todo mundo tem direito de se organizar e lutar por seus direitos. Mas o protesto deve atingir as autoridades e não as pessoas que não têm nada com isso?. Ele estava vindo de Fortaleza com a mulher, em seu próprio carro, numa turnê pelo Nordeste. Pretendia fazer paradas nas praias do Francês e Barra de São Miguel, mas teve que refazer os planos porque perdeu mais de duas horas parado no trânsito. Direitos e deveres ?Estão impedindo nosso direito de ir e vir?, reclamava o taxista Alberi Lopes, presidente da associação da categoria em Marechal Deodoro. ?Vocês também estão prejudicando esse direito, ao bloquear a pista e impedir as pessoas de passar?, rebateu o capitão Neysvaldo, da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar, escalado para comandar as negociações na Massagueira. ?Se não houver pressão não funciona, nunca seremos respeitados?, argumentava o taxista Jorge Melo. Segundo ele, um colega que levava os filhos para a escola, em Maceió, teve o veículo apreendido. O taxista Sérgio Gomes da Silva, de Boca da Mata, conta que levava uma senhora para a Unidade de Emergência, com uma hérnia, e foi parado. Teve que deixar os documentos no posto policial do Pólo Cloroquímico, levar a passageira no hospital e retornar.