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Moradores assustados com dom�nio do tr�fico

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EDNELSON FEITOSA O pescador José Cícero Leandro da Silva, 35, foi ouvido ontem na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (Ciapc I), sobre o tiroteio entre a polícia e os traficantes, na Rua da Paz, no Dique Estrada, onde mora com a família. Ele declarou que estava em seu barraco quando começou a escutar os estampidos. Afirmou ter reunido os filhos e ficado no quintal da residência, esperando a troca de tiros acabar. Quando os disparos cessaram, ele saiu de casa e viu a rua tomada pela polícia. ?Não sabia que a ?galera? vendia tanta maconha no local. Tem coisa que é melhor a gente não saber. Temo pelo pior, pois sou casado e tenho família?, disse. Quebra do silêncio A morte do traficante Iderlan dos Santos, na guerra da polícia contra o tráfico na madrugada de ontem, revoltou os moradores da Rua da Paz. No entanto, não foi o fato de ele ter sido executado em tiroteio com PMs, mas porque se tornou mais uma vítima da guerra do grupo de ?Robinho? com o bando do ?Nego Deu?. ?Todo mundo sabe o que ocorre aqui. Você acha que a gente vai entregar tudo para o Nego Déu, um traficante que não respeita ninguém, impõe a lei do silêncio e o pedágio? Aqui tem bandido, mas tem muito trabalhador?, afirmou Valdice Luíza da Silva, 27, ex-mulher de Iderlan, com quem tem um filho menor. Alertada por uma vizinha para falar pouco, ela insistiu que o pessoal da favela do Galpão e da Rua da Paz só se armou por causa do outro traficante. ?Ele quer tomar conta daqui. Tomar nossas casas, matar nossos meninos. Inclusive, ameaçou matar o filho de todos os inimigos. A polícia não vem aqui quando ele está, mas matou meu ex-marido porque resistiu à prisão?, ponderou Valdice. ?Iderlan era pai de família, tinha quatro filhos e tentava sustentá-los do seu jeito. Tem muita gente aqui que ele ajudava?, afirmou Silvana Tenório Ramalho, 18, que se apresentou como irmã do traficante assassinado pela RP. Josefa Cardoso dos Santos, que teve um filho assassinado pelo bando do Nego Déu, informou à GAZETA que o bandido anda acompanhado dos traficantes Ceguinho ? com quem ele é visto com maior freqüência - Jamerson, Nego Silva e Warley. O bando atuava no Dique Estrada, mas depois que tomou uma boca-de-fumo no Jacintinho, mudou-se para aquele bairro. ?Agora eles voltam querendo matar todo mundo e tomar as ?bocas? daqui. A gente vai ficar assim, sem resistir e deixar que eles dominem tudo. Tem gente com medo, mas vamos resistir?, disse Josefa. Barracos à venda Com medo, uma mulher, morena, de 43 anos, segurando um garoto no colo, assegurou que muitos moradores da Rua da Paz estão vendendo seus barracos e indo embora para não ter que enfrentar o traficante Nego Déu. ?Ele vem aqui num carro preto com uns três ou quatro capangas para matar e assustar as pessoas. Será que não tem lei para ele também. Só para nós?, frisou ela, deixando claro que a morte de Everaldo foi planejada e executada pelo grupo de Robinho. Miguel, que não quis informar o nome completo, colocou placa de venda em seu barraco que fica próximo à favela do Galpão. Ele destacou que não dá mais para viver lá. ?Já foi um lugar bom de morar, pois eu sou pescador. De uns tempos para cá somente eles, os traficantes e assaltantes podem ficar. Então que fiquem eu vou embora para outro local. Como eu, tem muito pai de família fazendo o mesmo?, concluiu.

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