Cidades
Mais mulheres denunciam viol�ncia em Alagoas
DORGIVAL JUNIOR O assassinato da professora Maria Gonçalves Costa, 32 anos, é um caso emblemático da violência doméstica que assola a mulher alagoana. No Fórum Violência Contra a Mulher, Um Problema de Todos Nós, realizado ontem na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o problema veio à tona com discussões e a apresentação de dados estatísticos que apontam para um quadro preocupante. Segundo números da Delegacia de Defesa da Mulher, só em Maceió, em 2004, foram registradas 2.813 ocorrências, entre as quais 1.008 são referentes a lesões corporais em vítimas da violência doméstica. As ameaças de morte, com lesões corporais, são responsáveis por 70% das denúncias. Em média, chegam a ser registradas na unidade policial especializada 35 ocorrências por dia. Queixas ?Estou separada do meu ex-marido há cerca de oito meses, e ele vem me ameaçando nos últimas semanas. Tenho medo e, por isso, resolvi procurar ajuda?, disse uma dona de casa que prestava queixa na Delegacia da Mulher, pedindo para não ter o nome revelado. ?Estamos com medo de que o ex-marido dela possa fazer algo de ruim. Por este motivo, resolvemos procurar a polícia para que ele pare com as ameaças?, acrescentou uma irmã da vítima, que também não quis revelar o nome, temendo represália por parte do ex-cunhado. De acordo com a delegada da Mulher, Fabiana Leão, o medo de denunciar as agressões sofridas ainda é muito grande entre as mulheres, sendo comuns relatos como o da dona de casa que teve coragem de denunciar o ex-companheiro ? com quem viveu por quatro anos ? por temer pela vida. Estupros ?Como a maioria dos casos é efetuada por homens do convívio íntimo das vítimas, elas têm medo de procurar a polícia. Outras acabam temendo pela reação dos companheiros, namorados e maridos ao serem denunciados, e acabam se recusando a prestar queixa da agressão ou violência?, disse a delegada. Em 2004 já foram registrados 38 estupros, sendo 31 elucidados. ?A exceção de oito, que foram praticados por pessoas estranhas, os outros 31 foram efetuados por homens do convívio das vítimas?, disse a delegada. A avaliação feita pelas autoridades policias aponta que os casos de violência contra a mulher não aumentaram no Estado. ?O que cresceu foi o número de mulheres que resolveram deixar o medo de lado e procurar a autoridade policial para exigir seus direitos e denunciar os agressores?, informou Fabiana Leão. O trabalho de conscientização de órgãos e entidades governamentais no combate à violência contra a mulher foi um dos fatores primordiais para a mudança de atitude das vítimas em resolver denunciar os seus agressores, segundo as autoridades da área.