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“A arma estava engatilhada e ela se debatia”

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EDNELSON FEITOSA ?Ela começou a se assustar quando passei a fita isolante sobre sua boca e seus olhos?. Assim respondeu o técnico em refrigeração Leonardo Lourenço da Silva, 21 anos ? após confessar o crime na polícia ? em entrevista exclusiva à GAZETA, onde contou os sórdidos detalhes de como assassinou sua namorada, a professora Maria Gonçalves Costa, 32 anos. Alto, magro, bem afeiçoado, bigode fino e olhos verdes acesos, Leonardo, durante a entrevista, respondia às perguntas com toda a frieza, quase sempre sussurrando as palavras, e cabisbaixo. Leonardo dissimulou ao afirmar na entrevista que não teria espancado, torturado e estuprado a vítima. No entanto, a GAZETA apurou junto aos médicos legistas do Instituto Médico Legal (IML) de Maceió ? nas informações sobre o exame cadavérico preliminar no corpo da professora ? que Maria sofreu bastante com tortura e estupro, com visíveis sinais de violência sexual. O laudo oficial só será entregue à polícia em 15 dias. Mas funcionários do IML que tiveram acesso ao cadáver de Maria Costa constataram ferimentos por todo o corpo, principalmente na cabeça da vítima. ?O tiro na nuca provocou morte instantânea?, explicou um médico que não quis se identificar. Leonardo Lourenço da Silva fez as revelações exclusivas logo após ser interrogado pelo delegado Cícero Lima, na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC III), e depois de ser apresentado à imprensa com seus dois cúmplices. A seguir, seu relato sobre como foram os primeiros encontros entre os dois, ainda namorados, na Ponta Verde; o assalto à casa de Maria e os momentos que antecederam o assassinato da professora, na versão do principal acusado e assassino confesso. Como você conheceu a professora Maria Costa, já que você morava em Brasília? Conheci a professora há pouco mais de quatro meses. Foi na semana em que cheguei de Brasília. Nosso encontro aconteceu na praia da Ponta Verde. Disse que estava interessado por ela, conversamos algum tempo e marcamos um reencontro para o dia seguinte. Durante dois meses tivemos um relacionamento, mas a gente se separou. Eu só me interessava por sexo e a Maria não queria se envolver com ninguém. Ela só vivia interessada nos estudos. Por que você insistiu em ficar e depois atacar uma pessoa tão diferente de você? Eu gostava da professora, mas não estava apaixonado por ela. Meu negócio era fazer sexo. Mas não nego que fiquei frustrado por ter sido abandonado por ela. A iniciativa de reatar o namoro foi minha. Eu telefonei para ela e marcamos um reencontro. Não queria matá-la, mas pretendia roubar o que havia na casa dela. Mas aí você decidiu matá-la mesmo? O que deu na sua cabeça, por que um crime tão cruel? Como você escolheu o local? Por volta das 7h30 do sábado [20], minha cabeça já estava fervendo. Eu sabia que ia fazer alguma loucura. Tomei umas cachaças e cervejas e uns comprimidos de Rivotril [psicotrópico] para ficar mais ligado. Sou viciado em remédios controlados desde a adolescência. Estava tudo armado? Como você pensou em usar fita isolante para amarrá-la? Porque ela tinha a fantasia de ter relações sexuais amarrada. Já tínhamos feito amor desse jeito várias vezes. A fita eu peguei na firma de refrigeração onde trabalhava e a arma já estava no Palio. Na casa dela, entramos no carro e seguimos direto para o Catolé. Escolhi o local porque é desabitado e porque passei muitas vezes por lá. Vocês estavam sozinhos? Ela concordou em ir com você sem mostrar resistência? Sim. Ela queria namorar e não se importava onde. Qualquer lugar era bom para ela. Minha idéia era amarrá-la e deixá-la no local, mas resolvemos brincar um pouco. Quando chegamos lá, embaixo da árvore, comecei a passar a fita isolante nela e não tive qualquer dificuldade para amarrar suas mãos e pés. Ela tinha fantasias de transar num local perigoso e amarrada. Ela estava gostando, mas começou a se assustar quando passei a fita sobre sua boca e seus olhos. Ela já estava amarrada quando você deu o tiro na nuca e acabou com a vida dela? Peguei a arma e tentei empurrá-la para o matagal. Ela se debateu e o revólver disparou, acertando um tiro em sua cabeça. A arma estava engatilhada e ela se debatia quando estava sendo amordaçada e aí o tiro foi disparado. Mas não cheguei a estuprá-la e nem torturei a professora. Depois que viu que não era o que pensava, a professora não chegou a pedir para não morrer? Não. Ela estava com a fita adesiva na boca. Até pensei em poupar a vida dela, mas ela podia me denunciar. Depois do crime, o que você fez? Joguei fora as roupas dela, peguei seu celular, documentos e as chaves e voltei para roubar a casa dela. Você não teve receio de encontrar alguém da família na casa, ou tudo também foi planejado? Eu sabia que ela morava sozinha e o irmão nunca estava em casa. O plano do roubo surgiu na manhã de sábado, quando me encontrei com o Zé Carlos [José Carlos da Silva, preso com Leonardo]. Foi uma espécie de vingança, por ela ter me abandonado. Leia mais sobre violência contra mulheres na página A16

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