Cidades
Bairros nobres insistem em lan�ar dejetos na praia
FÁBIA ASSUMPÇÃO Sanear toda a cidade é o primeiro passo apontado pelos ambientalistas para acabar com as línguas negras que hoje poluem as águas das lagoas e de grande parte das praias urbanas de Maceió. De acordo com o assessor da Diretoria de Operações da Companhia de Abastecimento d? Água de Alagoas (Casal), Alexandre Portela de Holanda Cavalcanti, a área saneada da cidade se restringe à parte dos bairros do Farol e do Centro e à faixa litorânea a partir do Stella Maris até a Pajuçara. ?A cidade precisa de investimentos pesados em saneamento, que necessitariam do apoio do governo federal?, disse Alexandre, sem querer arriscar o volume de recursos que seriam necessários para isso. Todos os esgotos coletados pela rede da Casal são carreados para o Emissário Submarino, na Praia do Sobral, construído há 25 anos. Os esgotos que chegam ao emissário passam antes por quatro estações elevatórias instaladas na Praça Lyons, na Praça 13º de Maio e no Riacho Salgadinho. Alexandre explica que o material que chega ao emissário recebe tratamento e é despejado a mais de três quilômetros da costa, no fundo do mar. E assegura que não há risco de contaminação das praias por causa da operação do emissário. ?Foi feito um estudo por oceanógrafos e o resultado obtido foi que esses resíduos despejados não retornam para a praia. As próprias correntes marítimas fazem com que os esgotos despejados no fundo do mar sejam diluídos?. Conscientização Portela observa que, além de sanear a cidade, é preciso fazer um trabalho de conscientização com a própria população. Mesmo nas áreas que dispõem de redes de saneamento, como Pajuçara e Ponta Verde, é grande o número de prédios que têm esgotos clandestinos ligados à rede de águas pluviais da prefeitura. Isso se comprova durante o verão, quando mesmo sem chuvas ocorrem despejos nas praias. Em reunião com técnicos da prefeitura, a Casal chegou a entregar um CD com o cadastro de imóveis ligados à rede de esgoto nessas áreas. Alexandre salienta que uma lei federal obriga que, nas ruas onde passam coletores de esgotos, as concessionárias desses serviços podem fazer a cobrança das tarifas de saneamento. Isso seria uma forma de obrigar que os moradores dos prédios façam as ligações na rede de esgoto. Mas muitos preferem continuar ligados à rede clandestina. E acrescenta que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para cada U$ 1 investido em saneamento há uma economia de US$ 4 com tratamento de saúde.