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L�nguas negras avan�am sobre praias e lagoas

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Das 150 mil ligações de água existentes em Maceió, apenas 27% correspondem a redes coletoras de esgoto. Ou seja, a capital tem 105 mil ligações sem tratamento, grande parte delas no litoral, onde são lançados esgotos domésticos e outras substâncias tóxicas, até mesmo metais pesados, que despejam toda a carga nas águas e areias das orlas marítima e lagunar. Essa poluição orgânica tem nome: as famosas línguas negras. O risco de contaminação direta por parasitas e micróbios é uma realidade. A descarga traz de tudo: ovos de lombrigas, amebas, solitárias, larvas de vermes. Se essa situação persistir por mais tempo pode representar o fim da ?galinha de ovos de ouro? da capital ? o turismo ?, além de comprometer a qualidade de vida dos próprios moradores. Em um estudo feito para uma tese de doutorado, apresentada este ano pela professora Rochana Campos de Andrade de Lima Santos, da Universidade Federal de Alagoas, foram identificadas 33 redes de águas pluviais espalhadas desde a Praia do Pontal da Barra até Cruz das Almas. A professora ressalta que isso não quer dizer que existam línguas negras em todos esses pontos. Mas é por meio dessas redes que saem os esgotos das ligações clandestinas de prédios e outros imóveis, que se tornam ainda mais visíveis no verão, quando não há água de chuva. Em sua tese, a professora Rochana Campos aponta que entre as áreas de maior concentração de poluição está a Praia da Avenida, nos trechos entre as Lojas Americanas e o Riacho Salgadinho.

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