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Relatos revelam despreparo dos policiais

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FERNANDO COELHO Com 25 anos de idas e vindas pelas rodovias que cruzam o interior de Alagoas e as divisas do Estado, o empresário e engenheiro mecânico alagoano Adheilton Thomaz tem muitas histórias ligadas ao trânsito para contar. ?Rodo cerca de 6.000 km por mês e já passei situações inacreditáveis nas batidas policiais?, revela. Ele diz que pagou propina apenas uma vez, apesar de passar por inúmeras situações nas quais poderia ter minimizado seu prejuízo. ?Fui parado em uma blitz policial e estava com a habilitação vencida. O soldado da Policial Rodoviária Estadual me pediu uma gorjeta em troca da multa e eu dei R$ 50?, confidencia. Por viajar constantemente em diferentes carros de sua empresa, o engenheiro mecânico diz que, vez ou outra, esquece o documento dos veículos. ?Em outra situação eu estava sem a habilitação e mostrei meu passaporte que estava no bolso da calça. O policial fez uma cara de espanto, como seu eu fosse uma autoridade, e me mandou ir embora rapidamente?. A história do contador Maicol Araújo é ainda mais surpreendente. Durante um dos dias de carnaval, ao se dirigir com um amigo para o bairro de Fernão Velho, ele tem seu veículo interceptado por um policial que, sozinho, fazia uma blitz na ladeira de Bebedouro. ?Ele já chegou exigindo um trocado para o lanche, nem pediu os documentos?, explica. O condutor disse que não tinha dinheiro e, de bate-pronto, o policial pediu para o motorista deixar com ele uma garrafa de conhaque que estava no banco traseiro do carro. ?Eu disse que não poderia dar a garrafa, e sim, uma dose. O policial aceitou e fomos beber com ele por trás do PM-Box?. A polícia se defende. Segundo um sargento da Polícia Militar, que preferiu não ser identificado, às vezes, a corrupção é incentivada pelo próprio cidadão. ?Antes mesmo de começarmos a abordagem, o condutor do veículo nos oferece algum trocado. Isso termina viciando o policial?, explica. Ele aconselha ao cidadão andar com o código de trânsito no porta-luvas do veículo. ?Infrações como uma lanterna quebrada não são passíveis de multa ou retenção caso a peça seja substituída por uma nova. São coisas que o condutor muitas vezes não tem conhecimento?. Segundo o inspetor Melquizedeque Lacerda, da Polícia Rodoviária Federal, uma blitz realizada por uma companhia fora de sua jurisdição não tem valor. ?O usuário deve fazer um requerimento para o setor responsável contestando o poder de jurisdição da rodovia?, mas alerta: ?se ele não der entrada na ação, o valor da multa aplicada pode vir no boleto de renovação do licenciamento.? O DER lembra que, assim como na SMTT, seus agentes de trânsito do DER também não têm poder de efetuar prisão de cidadão, limitando-se à orientação, aplicação de multas e retenção do veículo.

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