loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Saúde

RECUSA DE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTE CHEGA A 50% EM AL

Dados da Central de Transplantes do Estado mostram que 80 pessoas aguardam na fila por um órgão

Ouvir
Compartilhar
No ano passado foram realizados 62 transplantes de córnea e 3 de fígado em Alagoas
No ano passado foram realizados 62 transplantes de córnea e 3 de fígado em Alagoas -

Até o primeiro semestre de 2022 a taxa de recusa das famílias à doação de órgãos em Alagoas ficou em 50%, maior do que em todo o ano passado, que chegou a 38%, quando a pandemia avançou nos estados. Com o arrefecimento dos casos de Covid era esperado que o número de transplantes aumentasse, após autorização de procedimentos, situação que não ocorreu. Neste momento, 480 pessoas aguardam na fila por um transplante em Alagoas: córneas (410); fígado (9); rim (58) e coração (3). No ano passado foram realizados 62 transplantes de córnea e 3 de fígado e, este ano, 66 procedimentos, sendo 55 de córnea; cinco de fígado e seis de rim. “Em relação a retomada das doações de órgãos nós ainda estamos no ritmo aquém do desejado, tendo em vista a quantidade de pessoas que temos na fila aguardando por um órgão ou tecido, como é o caso das córneas, nosso número ainda está muito longe do que a gente precisa para contemplar as pessoas que estão em fila”, disse Daniela Ramos, coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas. A reportagem pergunta à Daniela por que a recusa à doação de órgãos ainda é grande, preocupante em Alagoas. “Nós atribuímos isso a uma responsabilidade conjunta, dos hospitais, principalmente, porque a notificação da morte encefálica é um caráter urgente e obrigatório. Isso consta no decreto 9.175 de 2017, no seu artigo 18. Então, todos os hospitais que atendem pacientes graves em qualquer suspeita de morte encefálica precisa notificar a Central de Transplantes”, diz. De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes, a notificação é compulsória e infelizmente há muitas subnotificações. “Nós temos uma equipe preparada, uma equipe que trabalha 24 horas, que é a organização e procura de órgãos. A gente faz as buscas ativas nos hospitais e estamos sempre prontos para dar todo o apoio, todo o suporte mas infelizmente ainda lutamos contra essas subnotificações”, ressalta Daniela Ramos. A coordenadora reforça que a doação é uma “consequência boa, porque pode tirar da fila tantas pessoas que estão aí, aguardando por um órgão”. Daniela reforça que “em relação a recusa familiar nós também enfrentamos essa dificuldade por conta de alguns mitos, de alguns tabus que a população traz. É a falta de informação, é a falta de divulgação de como pode ser um doador, do que é a morte encefálica, a diferença da morte e do coma. Algumas questões religiosas que as pessoas colocam no momento da entrevista familiar”. “Então nós atribuímos mesmo a questão da educação permanente para a população, que precisa estar no tempo inteiro não somente no mês de setembro, que é um mês que se incentiva mais por causa do dia 27 que é o dia nacional do incentivo, mas durante todo o ano, todos os dias”, disse. “Em relação a outros estados Alagoas está muito atrás, infelizmente. Existe a quantidade de óbitos no estado, se a gente levar em consideração que 1% dos óbitos hospitalares poderia ser por morte encefálica a gente está com número muito atrás devido as subnotificações. Então é um esforço conjunto, é algo que precisamos que o estado inteiro precise se engajar e nós estamos sempre à disposição para capacitar, para treinar e para dar todo suporte necessário”, destaca. “É importante frisar que hoje no Brasil continua a legislação que somente a família pode autorizar a doação. Não adianta deixar nada por escrito, nada registrado que se no momento da morte o familiar não autoriza essa doação ele não pode ser dado andamento, só se a família autorizar”, conclui. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) - sociedade médica civil, sem fins lucrativos, que tem como objetivo principal estimular o desenvolvimento de todas as atividades relacionadas com transplantes de órgãos no Brasil – existem dois tipos de doadores de órgãos, o doador em vida e o doador após ser diagnosticado com morte encefálica. No caso do doador em vida, precisa ser uma pessoa em boas condições de saúde, estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a sua própria saúde e aptidões vitais. O candidato a doador deverá realizar uma avaliação médica para afastar a possibilidade de doenças que comprometam sua saúde ou do receptor. Além disso, deve ser uma pessoa juridicamente capaz, pois a doação só pode ser feita com autorização judicial. Doador pós morte encefálica: A morte encefálica e´ definida como “morte baseada na ausência de todas as funções neurológicas”, ou seja, e´ permanente, e´ irreversível. Após diagnosticado com morte encefálica a pessoa não tem como mais “reviver” e assim, todos os outros órgãos ainda funcionam, possibilitando a doação. A morte encefálica só ocorre e é diagnosticada em pacientes hospitalizados que estejam respirando com ajuda de aparelhos (ou seja, pessoas que morrem fora do hospital não se enquadram nesse tipo de doação).

Relacionadas