Pandemia
INDÍGENAS FAZEM BARREIRA E RITUAL PARA SUPERAR PANDEMIA DE COVID-19
Em Alagoas e Sergipe, dez indígenas não resistiram às complicações da doença, segundo dados do Dasi
Em Alagoas e Sergipe, dez indígenas não resistiram às complicações da Covid-19 desde o início da pandemia, que levou à infecção de 799 pessoas nas aldeias. Os dados são do Departamento de Atenção à Saúde Indígenas (Dasi) e referem-se aos trinta e quatro distritos sanitários espalhados pelo país. Para amenizar ou superar o momento crítico, essa população fez barreiras sanitárias, rituais e ainda sofre com as sequelas.
Alagoas e o estado vizinho de Sergipe, segundo o departamento ligado ao Ministério da Saúde, tiveram 1,2 mil casos suspeitos e depois descartados no Brasil, com 787 indígenas que conseguiram se curar da Covid-19.
Na avaliação do professor doutor Jorge Vieira, coordenador do Núcleo Acadêmico Afro e Indígena e Direitos Humanos (NAFRI-DH/Cesmac), a pandemia foi vivenciada de forma diferenciada pelos povos indígenas porque como estão em aldeamentos e fizeram barreiras sanitárias por conta própria. “Em segundo momento eles entraram através do Ministério Público Federal com ações para que o governo federal de fato prestasse o atendimento, inclusive com a vacinação em massa da população”, informou Jorge Vieira.
De acordo com o professor, para superar os problemas deixados pela pandemia, os indígenas buscaram o espaço sagrado (ouricuri), onde foram praticar rituais. “Então a questão mental eles resolveram exatamente com a questão religiosa, com toda a prática que eles têm, que na verdade termina sendo uma grande terapia para a comunidade indígena”, explica.
O cacique Edmilson, da Wassu Cocal, em Joaquim Gomes, disse que um dos maiores problemas para os indígenas foi a rodovia federal BR-101 que corta a aldeia, pois o medo de contaminação era grande. “Alguns que pegaram morreram, outros carregam algumas sequelas da contaminação”, acrescentou.
Jorge Vieira lembra que a pandemia teve impacto também financeiro, levando à precarização econômica e financeira e das famílias. “Do ponto de vista social e econômico, eles têm sofrido muitos tendo devido à precarização e a falta de apoio e tem ido trabalhar inclusive fora do Nordeste. Tem uns que estão na região do Centro Oeste e outros estão na região Sudeste. Outros chegaram até a região Sul. Tem um um grupo em Mato Grosso que está na coleta do algodão, na região do Sudeste tem a coleta da da laranja, já no Sul a coleta da maçã, que são os meios que eles têm buscado para suprir toda essa carência, tendo em vista que os seus territórios ainda não foram demarcados”, afirma.
O professor acrescenta que as aldeias têm procurado alternativas externas para suprir as suas necessidades financeiras e econômicas e do ponto de vista mental, as comunidades contam com o polo de saúde multidisciplinar, onde eles têm buscado a assistência médica permanentemente.
O painel de informações da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) sobre a situação da pandemia nas aldeias ainda são do mês de abril. Nele, consta 482 casos confirmados em seis aldeias (Xukuru-kariri, Wassú, Kariri-xocó, Jeripancó, Tingui-botó e Karapotó) e 9 mortes (Xukuru-kariri, com duas vítimas; Wassú, com duas e Kariri-xocó, também com duas e uma em cada uma das aldeias Jeripancó, Tingui-botó e Karapotó).
Lira explica candidatura ao Senado: “É pelo que ainda falta fazer no Estado”
Lira dispara contra traições: “Está faltando palavra para muita gente em Alagoas”
Luciano Barbosa declara voto em Arthur Lira e promete percorrer Alagoas pela eleição ao Senado
Bebeto e Leonardo Dias exaltam relação de Lira com Bolsonaro e confirmam apoio ao Senado