Cidades
Detalhes fazem a diferen�a no valor do servi�o
FELIPE FARIAS Os custos de um funeral são proporcionais ao quanto a pessoa falecida era querida, benquista ou tinha prestígio em vida. Há funerais que chegam a custar R$ 100 mil ? e não muito longe. ?Em Recife, uma empresa fornece carruagens do século XIX para os serviços funerários. Ela possui um haras e todas as peças que usa são históricas. Tudo vai depender do quanto de homenagens se queira prestar. Mas, não há limites?, diz o empresário. Em Maceió, um serviço considerado de classe média custa entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil e inclui traslado, porque há muitos casos em que se exige que o sepultamento seja num mausoléu particular ou na cidade natal da família, e, conforme o plano, recuperação facial. Ao contrário de há anos, quando em casos de acidentes a urna ficava lacrada, agora os serviços oferecem técnicas de reconstituição. Com auxílio de uma foto, os especialistas garantem que a família possa prestar essa última homenagem sem o distanciamento de não poder ver o rosto de quem faleceu. Os preços dos pacotes oferecidos pelas funerárias variam, em geral , de R$ 250 a R$ 6,5 mil. Segundo José Luís de Souza, sócio de uma funerária de Maceió, na primeira faixa o pacote inclui traslado do IML para o cemitério escolhido pela família, no perímetro de 100 quilômetros, preparação do local do velório, com velas, tapete sob a urna funerária e vestes, que se resumem a uma mortalha ou a uma combinação de calça e camisa, quando trata-se de um falecido. Outro serviço incluído no pacote é a decoração ? não do local; mas, do próprio morto. ?Serve para tirar o aspecto cadavérico. Para o homem, inclui fazer a barba; para a mulher, arrumar o cabelo?, explica Souza, que ostenta um curso em São Paulo sobre uma das formas de preparação, a aplicação de formol. Existe ainda uma outra preparação para vítimas de acidentes violentos. Trata-se da restauração facial, mas que não está nesse pacote. Há conjuntos de serviços funerários que saem por R$ 450,00, R$ 600,00, R$ 800,00 e até por R$ 6,5 mil. Este último inclui urna presidencial, a que abre lateralmente que acabou imortalizada nos filmes de Hollywood; cerimonial completo, com coroas de flores e terno para o morto, e sepultamento em cemitério particular. Entretanto, a distância para o traslado é a mesma. Oficial Se os preparativos para um velório e sepultamento são trabalhosos, em parte porque são feitos num momento de dor e, depois, porque não se faz isso todo dia, quando o falecimento é de uma autoridade, as honras podem consumir ainda mais tempo, trabalho e mão-de-obra. O superintendente do Cerimonial do Palácio Floriano Peixoto, do governo do Estado, capitão PM Maxwel dos Santos, explica que as honras fúnebres são regulamentadas por lei; no caso, o decreto federal 70.274, de 1972. ?É lá que estão todos os detalhes para os serviços referentes ao falecimento de um presidente da República a um deputado estadual?. Os detalhes incluem o cerimonial das honras fúnebres à forma como se dão a escolta do traslado da urna funerária da autoridade falecida ou a guarda da câmera ardente, o local onde transcorre o velório, que deve ser em lugar público ou em cemitério que possuam espaço apropriado para que ocorra a visitação, uma das etapas mais importantes desse serviço. Apesar de estabelecer todos os passos, relativos a autoridades de diferentes escalões, a distinção básica entre os tipos de honras fúnebres refere-se basicamente ao cargo de presidente, único para o qual se decreta luto oficial de oito dias e homenagem com salva de vinte e um tiros de mosquete. Para os demais cargos, o luto oficial é de três dias e a salva, de quinze tiros. A guarda da câmera ardente deve ser feita por cadetes de curso de formação militar. No caso de autoridades federais, eles são de academias das Forças Armadas; no de autoridades estaduais, são os alunos da Academia da Polícia Militar. Quem fica e quem vai O professor de Antropologia da Ufal, Bruno Cavalcante, explica que os rituais funerários vão além da relação entre quem parte e quem fica, não é algo apenas de foro íntimo, mas envolve valores sociais bem mais amplos (como, por exemplo, ser uma tradução de status) e, curiosamente, é executado em honra de quem se vai, mas está voltado mesmo para quem fica. ?Participamos de uma cerimônia fúnebre para encomendar a alma de quem morreu, mas, na verdade, se está mesmo para confortar os vivos?, ensina.