Cidades
Empresas faturam alto com servi�o funer�rio
FELIPE FARIAS Há muitos ditos populares associados à morte; a maioria, frases feitas às quais se recorre, na falta de coisa melhor para falar ao saber do falecimento de alguém conhecido ? mas não muito chegado. Apesar da lógica fácil, tem lá sua sabedoria: ?A única certeza de que se tem na vida? pode ser, por exemplo, a mais acabada constatação do quanto de ironia há nesse momento. ?Para morrer, basta estar vivo?, entretanto, dispensa comentários. A sociedade moderna resiste em se aprofundar no assunto, preferindo cultuar o que aparentemente existe de mais distante da morte, como juventude e beleza. O professor do Departamento de Antropologia da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Bruno Cavalcante, conta que um dos aspectos que considerou mais curiosos do período em que morou em Paris, França, referia-se a esse tema. ?A empresa que opera o metrô da cidade divulgava que o item que encabeçava a lista dos mais esquecidos nos vagões, curiosamente, eram as urnas que continham cinzas fúnebres, que as pessoas traziam de crematórios?, relata. Um comportamento diferente do que tinham, por exemplo, as famílias do século 19, cujos membros, segundo o professor, chegavam ao requinte de deixar registrado em cartório o valor pago ao religioso da paróquia local para celebrar, por exemplo, cinco mil missas em sua memória, para contratar carpideiras, as mulheres que recebem somente para chorar em velório, e até para o conjunto de câmara que executaria, em cada celebração, as músicas ? igualmente escolhidas pela pessoa. Mas, mesmo diante da resistência de hoje em dia, há um momento em que se tem de enfrentá-la. É quando da preparação do ente querido, as últimas homenagens e o momento de encarar a dor da perda se transformam num serviço, uma providência a ser tomada como tantas outras na vida. E, como elas, contratar os serviços funerários, escolher o mais adequado às homenagens e o mais viável ao orçamento tem um preço. Os preços variam na proporção do que é oferecido, começando pelo pacote de R$ 250,00, que inclui a curiosa necromaquiagem, que é a preparação que tira do corpo o aspecto cadavérico, ao traslado para uma distância de até 100 quilômetros. O empresário Sérgio Craveiro, sócio do plano funerário vinculado ao único cemitério particular de Maceió, diz que a avaliação dos custos de um funeral tem de ser feita sob a ótica das circunstâncias em que se dá o falecimento, defendendo que as pessoas passem a adotar em relação à morte a mesma prevenção que já se tem em relação à doença, do ponto de vista dos gastos: ?Se o fato tem um caráter de urgência, com certeza, vai sair caro. Afinal, despender de uma só vez cerca de R$ 2,5 mil pesa no orçamento. Mas, se você já tiver essa cultura de prevenção, fica mais barato, porque um valor nessa faixa acaba sendo diluído em mensalidades de R$ 15, por exemplo. É como alguém que não tenha plano de saúde e, de repente, precisa de uma UTI?, compara. Do ponto de vista estritamente mercadológico, a explicação está no fato de se tratar de um serviço que, ao contrário dos bens, não tem como ser estocado para ser usado quando se precisa. ?Há planos para cada segmento de renda?, garante. Leia mais nas páginas E18 e E19