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“Os valores morais se perdem no Brasil”

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DORGIVAL JUNIOR Representante direto do Vaticano no Brasil, o núncio apostólico Lorenzo Baldisseri esteve na capital alagoana participando da comemoração de aniversário de cem anos do Seminário Provincial de Maceió. De origem italiana, há 31 anos o religioso percorre o mundo pregando a palavra de Deus e a defesa da vida. Em entrevista à GAZETA DE ALAGOAS, ele falou sobre o uso de preservativos, aborto, pedofilia na igreja e o casamento entre homossexuais. - Quando o Brasil começou a fazer parte da sua vida? - Cheguei ao Brasil há dois anos. Estive aqui pela primeira vez durante a primeira visita do papa João Paulo II. Em Maceió, essa foi a minha primeira visita. Apesar de ser uma cidade quente, ela é bonita e tem um povo gentil e hospitaleiro. O Brasil é um país maravilhoso com uma grande quantidade de católicos, cerca de 73% da população. - Qual o estado de saúde do papa João Paulo II? - O papa governa a Igreja como sempre o fez. Não houve mudança alguma no Vaticano. O santo padre, que sempre foi reconhecido por ser um comunicador formidável, tem dificuldades em falar. Esse é o maior sofrimento dele. Para se comunicar, o papa utiliza outros meios. Ele é uma pessoa lúcida que cumpre todo o calendário de assuntos da Igreja. - Como o senhor analisa a violência no Brasil ? - Pude observar que a violência no Brasil cresce principalmente nas favelas. O motivo deste quadro está na falta de emprego para os pais de família. Sem ter o que levar para casa, eles acabam entrando na marginalidade. O Brasil sofre com problemas sérios de pobreza e os valores morais estão se perdendo. - O que o senhor acha do uso de preservativos? - A igreja é a favor da vida. Desta forma, somos contra o uso de preservativos. Deus é o dono da vida e providente de tudo, ele é quem decide quando uma vida deve ser gerada ou não. - Mas sem o uso de preservativo o número de gestações não planejadas e doenças sexualmente transmissíveis pode aumentar. - Para a igreja, o sexo deve existir apenas para a procriação. No caso de uma gravidez não esperada, ela nunca deverá ser interrompida. Só Deus pode decidir sobre o dom da vida, ninguém mais tem esse direito. O aborto é a decisão de uma mãe de liquidar com a vida de um filho. - O que o senhor acha da união entre homossexuais? - Só um homem e uma mulher podem gerar vida, formando uma família com pai, mãe e filhos. Deste modo, não posso afirmar que uma união homossexual é uma família constituída. No entanto, os direitos de todos os homens devem ser respeitados. - Como a Igreja vem tratando os padres acusados de pedofilia? - Este não é um problema só da Igreja, mas de toda a sociedade. Hoje, com a globalização, qualquer pessoa que tenha um computador em casa pode ter acesso a sites pornográficos. Desta forma, os padres também podem ser afetados. Nós, como igreja, tivemos casos registrados e por este motivo reforçamos a orientação e os estudos dados aos seminaristas. - Hoje, qual é o grande desafio da Igreja? - O nosso grande desafio é trabalhar ainda mais a família com a finalidade de despertar e reforçar o trabalho delas para a vocação. Precisamos de mais padres. Só no Brasil são apenas 16.500 para trabalhar com uma população estimada em 150 milhões de pessoas. Se uma criança vive em uma família religiosa ela pode despertar a vocação e se tornar no futuro um padre ou uma freira.

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