Cidades
Execu��o de Ferreirinha pode ter mais de um envolvido, diz pol�cia
FÁBIA ASSUMPÇÃO Mais de uma pessoa pode ter atirado no policial civil José Carlos da Silva Ferreira, o Ferreirinha, executado com 12 tiros de pistola 380, na noite de quarta-feira da semana passada, quando saía da faculdade, na Vila Redenção, localidade conhecida como ?Bolão?, no Bom Parto. A hipótese foi levantada ontem pelo delegado do 1?º Distrito Policial, Ivanildo Inácio de Brito, após ouvir o depoimento do filho do policial James dos Santos, 18, que foi atingido por uma bala na perna esquerda. ?James disse que viu um homem atirar do seu lado, mas como a bala atingiu sua perna esquerda, isso levanta a hipótese de que havia outra pessoa do lado da janela onde seu pai estava?, diz o delegado. James Santos foi a primeira pessoa a ser ouvida pelo delegado Ivanildo de Brito, na manhã de ontem. O depoimento de James durou mais de uma hora e ele se recusou a falar com a imprensa. A família também não permitiu que ele fosse fotografado. Por causa do ferimento à bala na perna esquerda, ele ainda usava uma muleta para andar. O estudante tinha acabado de sair com o pai, na noite de quarta-feira da semana passada, do Cesmac ? onde ambos cursavam Direito ? num Fiesta preto, quando foram surpreendidos pelos tiros desferidos à queima roupa. O delegado ouviu ainda a viúva do policial, Cleonice Ferreira, e um dos irmãos dele, que se identificou apenas como Beto. Eles não permitiram ser fotografados ou filmados e disseram que desconheciam os motivos do assassinato. ?Ele era uma pessoa muita trancada e sobre o trabalho não comentava nada com a família?, disse o irmão Beto. A versão do irmão do policial foi reforçada por Cleonice, ao afirmar que o marido não fazia comentários sobre os seus problemas particulares, principalmente em relação ao trabalho. ?A família está bastante assustada com tudo o que aconteceu?, ressaltou. Segundo o delegado Ivanildo de Brito, o depoimento de James Santos não esclareceu muita coisa sobre as circunstâncias da morte do policial civil. Em seu depoimento, James disse que uma pessoa que atirou no seu pai pela janela do passageiro usava boné, e ainda há dúvidas sobre a cor do carro usado na fuga dos assassinos, que seria azul ou preto. O delegado enviou ontem um ofício ao Comando da Polícia Militar de Alagoas para que o soldado Aderaldo, do 1º Batalhão da PM, preste depoimento. Ele estava de serviço no PM-Box da Vila Redenção, conhecida como ?Bolão?, local a poucos metros de onde Ferreirinha foi assassinado. O delegado disse que só a partir do depoimento das testemunhas e pessoas envolvidas com Ferreirinha poderá estabelecer uma linha de investigação para o caso. ?Estamos apenas no início da investigação?, observou. ?O caso é muito difícil, mas não impossível de ser elucidado?. Várias hipóteses já foram levantadas para o assassinato de Ferreirinha, mas até agora nenhuma foi confirmada oficialmente pela polícia. Uma delas é que o crime pode estar relacionado com a ?guerra? entre grupos de policiais civis, desencadeada em junho do ano passado com o assassinato do policial Valter Dias Santana, ocorrido na Serraria. A morte do policial também pode ter relação com o assassinato do ?chumbeta? Gilvaci Rodrigues de Melo, 44, o ?Ferrão?. Outra versão é que Ferreirinha teria sido executado por integrantes do grupo do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, preso no Baldomero Cavalcanti. A GAZETA apurou que o policial civil vinha tentando evitar qualquer ligação com Cavalcante, e inclusive teria ameaçado revelar casos que envolviam o grupo de Cavalcante.