Humanismo
INTERESSE POR TRABALHO VOLUNTÁRIO REGISTRA CRESCIMENTO EM ALAGOAS
Voluntários de ONGs vão às ruas para distribuir alimentos, roupas e kits de higiene para quem precisa
A triste realidade da fome e miséria do País vem conscientizando, a cada dia, um número maior de pessoas que almejam a mudança. Muitas delas encontraram no trabalho voluntário uma forma de amenizar a desigualdade dos que vivem em situação insalubre, uma boa ação que vem dando resultado.
Em Alagoas, muitas são as Organizações Não Governamentais (ONGs) que trabalham em prol dos mais vulneráveis. Voluntários, quase que incansavelmente, vão às ruas para distribuir alimentos, roupas e kits de higiene para quem mais precisa, principalmente aos que nem um lar tem.
Não há, no entanto, um balanço atualizado de quantas ONGs atuam no Estado, mas, centenas se prontificaram em ajudar aqueles que mais precisam. O número de voluntários só cresce, o que contribui para que o trabalho atinja um maior número de pessoas que necessitam de doação.
A associação Doe Amor Maceió, por exemplo, distribui doações durante a semana na capital. O presidente da ONG, Aldo Flores, trabalha há mais de dois anos com trabalho voluntário e conta que, para ele, ajudar é uma forma de amar a Deus. “Percebi que viemos para este mundo para servir. E servir principalmente aos mais necessitados”, falou.
“Nosso projeto leva para os moradores de rua, todas as quartas, 90 kg de cuscuz recheado, 40 litros de suco de fruta, 30 litros de café, água mineral e bananas. Para as crianças, levamos biscoitos e leite achocolatado. Aos domingos, levamos 800 sanduíches no lugar do cuscuz. Além disso, ajudamos outros projetos. Todas as terças nós também bancamos um sopão para 200 pessoas, realizado no bairro do Jacintinho. E, também aos domingos, visitamos 3 lares de idosos, levando alimentos, roupas, materiais de limpeza. Nosso foco, primeiramente, é nos que estão nas ruas, em situação de vulnerabilidade”, explicou Aldo, quando questionado como funcionam as atividades do projeto.
Ele também contou que a associação beneficente é bancada pelos voluntários, e que muitos deles contribuem financeiramente para que as ações sejam realizadas na capital. “Para ser voluntário do nosso projeto é só ter realmente a vontade de servir ao próximo! Basta entrar em contato conosco e aparecer na nossa sede”, disse.
A associação Doe Amor surgiu em 2021, na pandemia da Covid-19, e, à época, muitos voluntários trabalharam juntos para ajudar o máximo de gente possível. Posteriormente, o número foi diminuído, segundo o presidente do projeto, porém, atualmente, a procura pelo trabalho vem crescendo novamente, o que é bastante comemorado por Aldo. “O projeto foi iniciado em 2021, e a procura era enorme, principalmente pelos jovens. Quando a pandemia acabou, entretanto, os voluntários desapareceram, nosso projeto passou por momentos difíceis e quase estivemos perto de encerrar as atividades. Mas agora, graças a Deus, estamos com novos voluntários, entre 50 e 60 anos, que trouxeram um ânimo novo”, contou.
Aldo também faz um apelo para que muitas outras pessoas passem a ajudar os mais necessitados, assim como o governo e a iniciativa privada do Estado.
“O trabalho voluntário é um chamado. Muitos vão uma vez e não aparecem mais. Esses ainda não receberam tal chamado. Servir é apaixonante. Certa vez, entreguei um sanduíche a um senhor e ele disse: “muito obrigado, se não fosse esse pão, eu ia dormir com fome mais uma vez.” Isso é o que nos motiva a sempre continuar. Ficamos muito felizes quando vamos às ruas e encontramos outros projetos ou até mesmo uma família, um grupo de amigos, entregando comida”,disse.
O técnico em enfermagem Daniel José da Silva, de 20 anos, também trabalha como voluntário. Ele buscou esse tipo de ação no início deste ano. As chuvas que castigaram Alagoas e que deixaram muitas pessoas desabrigadas motivaram o jovem a sair em buscas de doações, segundo informou. “Durante uns 3 meses, eu e mais quatro amigos nos reunimos para que pudéssemos arrecadar alimentos ou quantias em dinheiro para realizarmos algumas ações, visto que, na época, havia muitas pessoas desabrigadas”, falou.
Ele também disse que, à época, contou com a ajuda de muita gente, que se sensibilizou com a ação. Para o jovem, é compensador poder ajudar quem mais precisa. Ele ta,bém reconhece que mais pessoas estão se interessando pelo trabalho “Ajudar ao próximo sempre será uma coisa boa. Acredito que o que fizemos aqui, seremos recompensados no final”.
Em uma realidade onde muitas pessoas também vêm adoecendo mentalmente, a psicóloga Andressa Andrade disse que muitos de seus pacientes buscam no trabalho voluntário uma forma de tratamento. “Ajudar aos outros contribui para a manutenção da saúde e pode diminuir o efeito de doenças físicas e psicológicas. Tudo porque a euforia sentida após um ato generoso envolve sensações físicas que liberam endorfinas e outras substâncias naturais do corpo, que diminuem dores e são antidepressivos naturais”, explicou.