Dia das Crianças
"MINHA FILHA ME FEZ NÃO MORRER", DIZ MÃE APÓS PAI DA CRIANÇA FALECER
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Construir uma família era o sonho de Joana Regueira e Felipe Barros e Silva. Na primeira gravidez, ela teve um aborto espontâneo. Até que ela ficou grávida de Olívia Regueira Costa Barros e Silva, hoje com um ano e dez meses. A felicidade tomou conta da família com a vinda da pequena, mas foi quando ela tinha três meses de idade que Felipe, aos 35 anos, faleceu de um infarto, sem ter nenhum problema cardíaco.
"Nunca imaginei vivendo isso. Eu entendia que finalmente Deus tinha me dado minha família. E aí, fico sem. Mas eu não podia me entregar, porque nosso presente perfeito precisava de mim, das terapias, do meu leite", relata a mãe de Olívia, que nasceu com síndrome de Down.
"Eu não podia ficar parada esperando meu luto passar. Ela precisava de mim e eu corri atrás das terapias dela. Ela me fez não pirar. Eu posso ter parido ela, mas ela me fez ficar viva, renascer. Ou melhor, não morrer", expõe Joana, que é nutricionista.
Devido à síndrome de Down, diariamente a pequena Olívia passa por terapias, consultas com fisioterapia, fonoaudióloga, terapia ocupacional, musicalização, psicomotricidade e demais atividades que possibilitem o seu desenvolvimento.
"É muito difícil você ver sua filha tendo que fazer terapia para executar coisas simples como sentar, engatinhar e agora andar. As pessoas muitas vezes romantizam a síndrome de Down. Não é fácil", expõe a nutricionista, que tem um custo mínimo mensal de R$ 4 mil para realizar os tratamentos da filha.
Olívia gosta de dançar, de brincar, de fazer comida, de jogos de encaixe, de dar abraços. "Adora um balanço e ama comer", diz a mãe, esboçando riso. Mas ela chora, quando perguntada se encontra tempo para ter momentos de lazer com a filha.
"Os pais do meu marido pegam ela no final de semana e eu deixo pegar porque eu não tenho como dar lazer a ela. Eu tinha visto em algum desses Instagrans de mãe, que eu sou a mãe da obrigação. Fico de segunda a sexta, indo para clínica, obrigações do dia a dia, e na hora do lazer eu não posso", diz, se desculpando por responder ao mesmo tempo em que chora.
"Ela se diverte com os outros. Mas eu faço o que posso. Também não posso privá-la. Passeio perto de casa, pracinha, essas coisas", complementa.
Joana diz que tem medo. Medo sobre qual mundo a filha vai encontrar. O mundo da intolerância e da ausência de inclusão.
"Eu abdiquei de muita coisa para criar ela, podia estar trabalhando mais e pagar alguém pra ficar com ela, mas acho que cuidando dela, me dedicando a ela eu honro meu marido. Ele queria muito ser pai. Então eu sempre digo: eu faço sacrifícios, corro atrás, peço, mas jamais quero que ela seja minha devedora porque, pode até ser sofrido para mim, mas chega nela com todo amor do mundo", finaliza.