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“Nenhum dinheiro paga a vida da minha filha”

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DORGIVAL JUNIOR A morte da estudante Juliana Sousa ? atropelada em 18 de dezembro de 2001 pelo juiz de direito titular da 38ª Vara Cível Única de Cumprimento de Requisitórios de Atos Processuais da Capital, Jesus Wilson Raphael da Silva ? acabou com a vida e os sonhos de uma adolescente que planejava fazer faculdade, tornar-se odontóloga e ajudar famílias carentes. A tragédia, que chocou a sociedade, é vivida diariamente pela família, que, três anos depois da morte da garota de sorriso fácil e muitos amigos, ainda sofre com a dor da perda de uma filha amada e cheia de vida. ?Nenhum dinheiro paga a vida da minha filha?, disse a mãe da adolescente, Maria das Graças Sousa, que após a perda da filha e, em seguida, do marido, conta apenas com um único filho, maior de 21 anos, para ajudá-la a superar o peso da dor que carrega. ?Para mim, é um sofrimento diário. Não perdi só uma filha, mas uma grande amiga também. Não tem um dia na vida que não lembre da minha filha?, acrescentou ela. Maria das Graças contou que o marido, Augusto Silveira Sousa, 83 anos ? que já tinha problemas de coração ? adoeceu dias após receber a notícia da morte da filha. ?Foi um choque. Semanas depois, meu marido teve um acidente vascular cerebral. A partir da daí, ele deixou de falar e foi definhando. A nossa filha era muito amada por todos. Dois anos depois, ele também faleceu. O desgosto foi muito forte. Meu filho também ficou bastante revoltado, mas busco nele e em Deus a força para continuar vivendo e lutar por justiça pela morte da minha querida Juliana?, desabafou a dona-de-casa. Sem emprego e sem a pensão do marido falecido, a mãe de Juliana Sousa vive, hoje, da ajuda de amigos e familiares, além de alguns trocados que ganha como manicure. ?A vida de Maria das Graças Sousa não é fácil. Depois da morte da filha, a vida dela virou de cabeça para baixo. Ela tem que batalhar muito para sobreviver?, disse a advogada da dona de casa, Sandra Cantanília, destacando que a morte da adolescente causou uma revolta em toda a comunidade do bairro de Jatiúca, onde Juliana Sousa morava com a família. ?Quando soube da morte de Juliana fiquei muito triste. Sofri muito. A mãe dela é uma pessoa forte e batalhadora, que apesar das dificuldades busca força para continuar vivendo?, disse a vizinha de Maria das Graças e da estudante atropelada, a aposentada Maria Araújo de Lima, lembrando que a mãe da garota ainda guarda em casa algumas roupas, sapatos e brinquedos de Juliana. Lembranças ?Às vezes a saudade bate tão forte que a gente recorre para algumas fotos. Juliana era uma garota determinada que queria uma vida melhor para toda a família?, disse a tia da estudante Fátima de Sousa ao recordar da sobrinha vendo as fotos de Juliana Sousa em várias fases de sua infância e adolescência.

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