Saúde
NÚMERO DE PESSOAS OBESAS VEM CRESCENDO EM AL, DIZ NUTRICIONISTA
Estudos recentes apontam o crescimento dessa desordem metabólica, em todas as faixas etárias
Na avaliação da nutricionista Bárbara Coelho, da Unimed, “assim como em todo o mundo, tem se evidenciado no Brasil o aumento do número de pessoas portadoras de obesidade. Em nosso Estado, as estatísticas não fogem dessa realidade, tendo em vista que estudos epidemiológicos recentes apontam o crescimento dessa desordem metabólica, em todas as faixas etárias, incluindo as crianças, o que torna a problemática ainda mais preocupante pela magnitude de ter que tratar mais precocemente os desfechos clínicos e as consequências psicossociais envolvidas com essa comorbidade”, destaca a nutricionista.
De acordo com ela, as repercussões da obesidade infantil estão relacionadas às alterações de exames (intolerância a glicose, dislipidemia), que associada ao excesso de peso são importantes fatores de risco para o surgimento de alterações de saúde e aumento da mobimortalidade na idade adulta e que além disso, redução no desempenho em atividades que envolvem a mobilidade e locomoção e bullying. “Sendo a etiologia da obesidade associada a fatores genéticos e comportamentais, a família ocupa papel central na construção dos hábitos alimentares das crianças, interferindo sobremaneira nesse processo, desde a pré-concepção, através do estado nutricional materno e da ingestão de nutrientes, perpassando pelas fases de aleitamento materno, desmame e introdução alimentar, que tem ganhado, atualmente, cada vez mais destaque nesse cenário”, diz Bárbara. Ela lembra que é fato que a vida moderna e o acesso facilitado às tecnologias que a envolvem, agravado pelos tempos pandêmicos atuais, interferiram no estilo de vida de muitas pessoas, incluindo o público infantil, que também sofreu modificação em seu estilo de vida. De forma geral, o que já se observava antes desse período, ganhou mais evidência como o aumento do consumo de produtos industrializados, redução do nível de atividade física, aumento do tempo de tela e alterações na saúde mental (ansiedade). “Em se tratando de prevenção e combate a obesidade infantil, o hábito e cultura familiar, exercem influência direta, já que o mesmo é reproduzido pelos ‘pequenos’. A família, portanto, deve servir como rede de apoio incentivando e adotando um estilo de vida saudável através do estímulo ao consumo de alimentos in natura e consequente redução do consumo de produtos industrializados; resgate do envolvimento da participação infantil com as práticas culinárias; limitação do tempo dispendido com jogos eletrônicos, redes sociais, TV; estímulo às brincadeiras ao ar livre e prática orientada de exercício físico”, finaliza Bárbara Coelho Vieira da Silva, mestra em Nutrição Humana pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
RISCOS DA OBESIDADE
Já a nutricionista do Hapvida Icléa Rocha, lembra que de acordo com o Ministério da Saúde, esse grave problema de saúde pública pode ser avaliado como o resultado de uma série complexa de fatores genéticos, hormonais, individuais/comportamentais e ambientais que atuam em diversos contextos, sejam eles o familiar, escolar, comunitário, social e político e que por se tratar de uma condição multifatorial, sua compreensão se faz complexa e os meios de intervenção desafiadores, visto que requer ações integradas entre diversos setores, além da saúde. Sobre os riscos da obesidade infantil, Icléia cita que “são inúmeros! Podemos citar as complicações para a saúde física, tais como maior propensão a desenvolver problemas ósseos e nas articulações, comprometendo seu desenvolvimento crescimento; diabetes tipo 2; dislipidemias (alteração de colesterol total, LDL e triglicerídeos); esteatose hepática (gordura no fígado); hipertensão arterial, que pode provocar lesões graves no coração, cérebro e rins; além de apneia do sono, dentre outras”. Entram na lista também complicações psicológicas e sociais, pois estão mais vulneráveis a sofrer bullying, o que consequentemente pode desencadear baixa autoestima, isolamento social e até depressão. Também têm maiores chances de desenvolver problemas de aprendizagem e distúrbios alimentares, como a compulsão. Além do mais, segundo a nutricionista, crianças obesas têm maiores chances de se tornarem adultos obesos! “O papel da família é realmente fundamental! A melhor estratégia é a reeducação alimentar, ou seja, incorporação de hábitos alimentares saudáveis para toda a família, melhorando o estilo de vida, o que inclui a prática regular de atividade física também. Cabe aos pais dar o exemplo. Orientar, acompanhar e incentivar”, finaliza Icléia Rocha.
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