Cidades
Caixinhas chegam a garantir sal�rio extra
ALINE ANGELI De real em real, vários profissionais, como carteiros e lixeiros ? considerados os mais tradicionais recebedores de ?caixinhas? ?, chegam a dobrar de salário com as gratificações no final do ano. ?Em Maceió, todos os bairros contribuem de forma quase igual?, diz Paulo Nicácio, secretário-geral do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana de Alagoas. O salário-base de um lixeiro varia de R$ 300 a R$ 400 ? mesmo valor arrecadado por muitos deles com as gorjetas. Na esperança de faturar o extra, outras categorias foram, pouco a pouco, aderindo à tática de embrulhar uma caixa de sapato com papel de presente e ?ver no que dá?. ?Já montamos nossa caixinha este ano?, diz a recepcionista do salão de beleza Fios de Cabelo, Telma dos Santos, 17 anos. ?Está enfeitada até com Papai Noel. A gente não fala nada e nem dá indireta, mas a maioria das clientes contribui com algum troquinho?, afirma ela, que vai dividir a quantia com as outras quatro recepcionistas. A hora do rateio, entretanto, nem sempre vem imbuída do generoso espírito natalino. ?Ano passado, alguns espertinhos deram um jeito de abrir a caixa e ir tirando o dinheiro antes dos outros?, conta o balconista Edson da Silva, 28 anos, do supermercado Cinco Irmãos, no Eustáquio Gomes. ?Por isso a gente lacrou tudo com fita adesiva. Acho que deve dar uns R$ 100?, diz. Há quem se irrite com tanto apelo. ?Achei um absurdo o moço do estacionamento olhar para mim e dizer ?Você já contribuiu???, reclama a universitária Sandra Leite. ?Não gosto de me sentir constrangida nos lugares que freqüento. Caixinha você deixa lá e quem quiser dá?. Embora a etiqueta pregue mais generosidade com zeladores e porteiros, não é exatamente o que mostra a prática. ?Trabalho num prédio de classe média alta com 32 apartamentos, mas só uns dez moradores dão alguma gratificação?, diz o porteiro Raimundo da Silva, 52 anos. ?Alguns me dão até R$ 50, outros entregam uma cesta básica. Eu fico na minha, nunca peço nada, mas é claro que a gente fica feliz quando alguém se lembra da gente?, afirma. ?O importante é que seja de boa vontade e que o salário saia em dia?, completa.