Saúde
VACINAÇÃO CONTRA PÓLIO CHEGA AO FIM SEM ATINGIR META DO MINISTÉRIO
Levantamento da Secretaria de Saúde de Maceió revela que apenas 52,48% das crianças se vacinaram
Mesmo com a prorrogação da Campanha Nacional de Vacinação contra a poliomielite, que foi finalizada na última segunda-feira (31), Maceió não alcançou a meta do Ministério da Saúde e só imunizou 52,48% do público-alvo. Durante todo o ano de 2021, o percentual de pessoas vacinadas na capital alagoana chegou a 65%.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, foram aplicadas 27.206 doses - a cobertura total seria de 51.840 doses em crianças na faixa etária de 1 a menores de 5 anos de idade. Para atingir a cobertura total, ainda falta imunizar um público-alvo de 24.634 crianças.
A maior cobertura foi em crianças de três anos: das 12.776 disponíveis, foram administradas 6.908, o que representa um percentual de 54,07% de cobertura. Em crianças na faixa etária de dois anos, foram aplicadas 6.793 doses, atingindo 53,52% do público. Já a terceira faixa etária com maior doses administradas foi em crianças de até um ano de idade: ao todo, 7.125 doses, atingindo 51,97% da cobertura. A menor população imunizada foi de crianças com quatro anos, com 6.380 e 50,39% de cobertura.
O baixo percentual é extremamente preocupante. Segundo o médico infectologista, Fernando Maia, essa é uma doença com grande capacidade de deixar sequelas graves e permanentes. “Essa é uma vacina disponível nos postos e não justifica essa falta de adesão. Talvez a baixa cobertura vacinal se deva, ironicamente, ao sucesso da vacina. Como não se foi registrado um caso de poliomielite, as pessoas acham que a doença não existe mais e tenderam a relaxar na vacinação. A doença não acontece justamente por causa do sucesso da imunização no público-alvo, mas é importante, indispensável e urgente que se mantenha essa vacinação. Com a queda dos níveis vacinais há um grande risco da reintrodução da doença no Brasil”, alertou.
Apesar do fim da campanha, as vacinas estão disponíveis nos postos de saúde. “Os pais ou responsáveis devem ir a esses locais e fazer a imunização. A poliomielite deixa sequelas e vai afetar a vida da criança, com incapacidade até de andar. Não é um risco que vale a pena correr. A vacina é 100% efetiva desde que seja aplicada”, concluiu.
A prorrogação da campanha foi tomada visando assegurar a ampliação das coberturas vacinais e aumentar a adesão da população à vacinação, evitando tanto a reintrodução do vírus da poliomielite no Brasil – doença considerada como eliminada no país desde 1994 – quanto o risco de transmissão de enfermidades imunopreveníveis.
No início de outubro, segundo dados da SMS, a cobertura vacinal do público-alvo da campanha contra a poliomielite atingiu 33%, com pouco mais de 17.100 doses aplicadas. Ou seja, em um mês foram administradas apenas 10.106 doses. A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada por um vírus que vive no intestino, chamado poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas infectadas e provocar ou não paralisia. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos. A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral (mais frequentemente), por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, por meio de gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar). A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus. Os sintomas mais frequentes são febre, mal-estar, dor de cabeça, de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e até mesmo meningite. Nas formas mais graves instala-se a flacidez muscular, que afeta, em regra, um dos membros inferiores. A vacinação é a única forma de prevenção da doença.