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PADRASTO É CONDENADO A 51 ANOS DE PRISÃO POR ESTUPRO E MORTE

José Roberto de Morais foi a júri popular nesta quinta-feira, acusado de assassinar o enteado

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José Roberto de Morais, padrasto do menino Danilo Almeida, foi condenado a 51 anos e 11 meses de reclusão acusado de abusar sexualmente da criança, de 7 anos e, em seguida, assassiná-la com golpes na cabeça da vítima.

Ele foi a júri popular nesta quinta-feira (3), em julgamento realizado pela 7ª Vara Criminal de Maceió. Ele deve cumprir em regime fechado. Os 51 anos e 11 meses de prisão ocorre pelos crimes de estupro, homicídio e denunciação caluniosa, isso porque, ao longo das investigações, o acusado acusou autoridades policiais de torturá-lo, o que foi demonstrado ser inverídico.

Para aplicação da pena, o magistrado Yulli Roter Maia considerou a crueldade com que o crime ocorreu e ainda a idade da vítima, considerada vulnerável e que não teve chances de defesa.

O crime ocorreu no dia 11 de outubro de 2019. De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP/AL), o menino Danilo de Almeida Campos foi abusado sexualmente no interior da oficina de bicicletas do padrasto.

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Ainda segundo a acusação, José Roberto estrangulou a vítima e desferiu golpes na cabeça da criança, levando-a a óbito. O corpo de Danilo foi encontrado apenas no dia seguinte, em uma viela no bairro Clima Bom, na capital.

Durante o julgamento, um dos depoimentos importantes foi o da mãe da vítima, Dacineia Carlos de Almeida. Ela tinha um relacionamento havia um ano com o réu, à época do crime.

“Era um relacionamento agressivo, tratava a mim e meus filhos mal. Me xingava na rua, me humilhava”.

Ela tem 5 filhos, os mais novos são Daniel e Danilo, e, conforme relatou, ele tratava os meninos de forma diferente. A mãe disse que ele tratava melhor o Daniel do que o Danilo, e que dava mais dinheiro para um do que para o outro.

Ainda durante o relato, Dacineia citou mais detalhes que revelam a personalidade agressiva de Roberto. Ela contou de um episódio em que precisou pedir ajuda a uma vizinha.

“Ele estava agressivo dentro de casa, colocou as panelas e a comida dentro de uma bacia e disse que ia deixar a gente com fome. Disse que ia embora e deixar a gente em casa, sozinho e com fome. Eu procurei ajuda na casa de uma vizinha, que me acompanhou até em casa e viu ele com a panela e as comidas para levar embora”.

A mãe afirmou que Roberto batia nos meninos, principalmente no Danilo. “Cheguei na casa da minha mãe e peguei ele batendo na cabeça do meu filho. Ele dizia que era para educar. Ele tratava mal, batia com tabica. Dizia que tinha que respeitar ele, era ignorante.

“Ele pegou o Daniel pelo pescoço uma vez e jogou no sofá”. Ela afirmou que chegou a se separar por duas vezes, mas voltava porque ele dizia que ia mudar, mas não mudava. Na ocasião, Dacineia disse que o relacionamento dela com a família melhorou após a prisão do Roberto.

“Ele dizia que ninguém da minha família me queria, mas era mentira. Minha mãe estava procurando por mim”. Ele (Roberto) tentou sair de Maceió, segundo a depoente. “Queria ir para Santana do Ipanema, mas eu não queria ir porque quem não deve não teme”. Antes da mãe da vítima, mais uma vizinha da família, Taylane Evelyne dos Santos, foi ouvida em Juízo. Ela falou aos jurados que, no dia em que ‘Dano’ desapareceu, os vizinhos se uniram para procurar a criança e que o Roberto sugeriu que eles se dividissem na busca.

“Fomos para o Conjunto Colibri e não achamos. Saímos dela pela Rua Boa Vista e retornamos. Ele (Roberto) mandou a gente para um lado e ele foi para outro (sentido Federal e Osman Loureiro). Ele veio por outra rua sentido oficina. Se fosse pela federal, ele teria voltado pelo mesmo lado que a gente estava”, relatou.

A testemunha afirmou ainda que o irmão gêmeo da vítima ficou na casa onde ela morava, que pertence à avó. O menino permaneceu lá por uma semana e chegou a dizer que o Roberto mandou ele contar a versão da mulher de cabelo verde, para esconder o crime.

“Daniel ficou uns dias na casa da minha avó. Quando ele estava perto de ir embora (aproximadamente uma semana depois), teve um dia de manhã que ele disse que era mentira, que o Roberto tinha mandado dizer, que não era para dizer a verdade, que tinha sido o Roberto que tinha machucado o Danilo”. Segundo ela, o menino passou a agir da maneira estranha depois dos fatos. “Ele agia estranho, não como uma criança normal. Não deixava ninguém dar banho, ver sem roupa”.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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