Cidades
Testemunha-chave contra Jesse � executada
EDNELSON FEITOSA Uma das principais testemunhas de acusação contra o grupo liderado pelo policial civil e vereador de Coruripe Jesse James Viana, o ?Neno?, foi assassinada antes de conseguir entrar para o Programa Nacional de Proteção a Testemunhas do Ministério da Justiça. O soldado Israel Francisco dos Santos, 44, reformado há dois anos pela Polícia Militar (PM) por problemas de saúde, era considerado pela polícia um ?arquivo vivo?. Israel foi executado na noite do último domingo com mais de vinte tiros de pistolas calibre 380, em frente à casa número 30 da Travessa Luiz Carlos de Souza, nos fundos da Igreja Nossa Senhora de Aparecida, no bairro de Ponta Grossa. O soldado Israel, como era conhecido, teve um irmão, o também soldado PM Elias Francisco dos Santos, 44, morto em serviço, em julho de 2002, numa emboscada em Coruripe. Após ser alvejado por dois pistoleiros, o soldado Elias, mesmo ferido, ainda conseguiu chegar à casa de um irmão, Ezequiel Francisco dos Santos, e lhe disse que os pistoleiros eram ligados a Jesse James. Elias morreu três dias depois da emboscada, no Pronto-Socorro de Maceió. Na época, Jesse James era o principal segurança do deputado estadual João Beltrão (PMDB). Ezequiel Francisco dos Santos contou à polícia tudo que o irmão lhe dissera antes de morrer e teve que fugir de Coruripe com a família para não ser morto. Hoje vive fora do Estado, com outra identidade e sob proteção da Polícia Federal (PF), por ter se tornado testemunha-chave do caso. Pistoleiros Segundo o chefe do Setor de Operações da Delegacia do 3º Distrito, Eliel Tavares, quatro pistoleiros participaram do assassinato do soldado reformado Israel Francisco. Dois deles estavam numa motocicleta e outros dois em um veículo. Os tiros foram disparados quase à queima-roupa pelos homens que estavam na motocicleta. Quando Israel caiu na calçada, um dos matadores chegou bem perto e descarregou a arma na direção de sua cabeça. Só na aba do boné que ele usava havia oito perfurações de balas. Um morador, que não quis se identificar, presume que foram disparados mais de 20 tiros. ?Até parecia que era uma metralhadora, mas todo mundo viu que eram pistolas, armas curtas?, revelou o rapaz. A auxiliar de serviços gerais Maria José Faustino dos Santos, 49, esposa do soldado Israel, afirmou que estava trabalhando na noite de domingo. ?Quando eu voltava, vi o tumulto perto de casa e as pessoas vieram me contar o que tinha ocorrido com meu marido?. Maria José viveu com o PM por 24 anos e teve um filho com ele. Ela garantiu que durante os 20 anos em que trabalhou na PM o marido jamais se envolveu em qualquer intriga. Há dois anos, ele foi reformado por problemas de varizes.