Cidades
Luiz Pedro n�o vai depor hoje sobre seq�estro
GILVAN FERREIRA Ao contrário do que havia prometido, o deputado estadual Luiz Pedro (PDT) não vai mais comparecer hoje à 3ª Vara Criminal para dar depoimento sobre o seqüestro do desempregado Carlos Roberto dos Santos, ocorrido em agosto deste ano. O depoimento do deputado estava marcado para hoje, às 8h, na 3ªVara, no Fórum da Serraria. Na última terça-feira, Luiz Pedro garantiu, no plenário da Assembléia Legislativa, que ?não é bandido? e que aceitaria a convocação do juiz da 3ª Vara, Hélder Loureiro, para prestar depoimento sobre as acusações de envolvimento no caso, que lhe são feitas pelo pai do desempregado Carlos Roberto, Sebastião Pereira, e por Adézio Nogueira, ex-funcionário do próprio deputado. ?Estou disposto a me encontrar com o juiz para contar tudo e provar que não tenho nada a ver com esse caso?, garantiu Luiz Pedro, terça-feira. O advogado do deputado Luiz Pedro, José Fragoso, comunicou oficialmente ontem, ao juiz Hélder Loureiro, que o parlamentar vai usar o ?direito a foro privilegiado? e marcar dia, hora e local para ser ouvido pela Justiça. Desta forma, Luiz Pedro estava comunicando ao juiz Hélder Loureiro que não irá comparecer hoje à 3ª Vara Criminal para o depoimento, que, agora, deverá ocorrer na Assembléia Legislativa. O juiz Hélder Loureiro havia encaminhado ofício à presidência da Assembléia Legislativa, pedindo autorização para ouvir o deputado Luiz Pedro, que iria esclarecer as denúncias de seu suposto envolvimento no seqüestro de Carlos Roberto. Reação O juiz Hélder Loureiro disse que não iria aceitar a ?imposição? do deputado Luiz Pedro e estranhava seu posicionamento, já que ele havia declarado à imprensa, da tribuna da Assembléia Legislativa, que iria comparecer ao depoimento, pois alegava que não tinha nada a ver com o crime. ?Eu não vou aceitar essa imposição, pois não estamos apurando nenhum crime parlamentar. É preciso esclarecer que a imunidade parlamentar garante ao deputado o direito de emitir opiniões, fazer críticas, formular denúncias, fiscalizar, propor e votar, mas não garante ao parlamentar a imunidade para cometer crimes comuns. O que teria o deputado a temer ? se ele se auto-professa inocente? O deputado não tem direito a essa regalia, pois nós estamos diante de um crime comum e não de um crime parlamentar?, repetiu. O juiz Hélder Loureiro afirmou que, mesmo com a ausência do deputado Luiz Pedro, que pode ser convocado novamente para depor, o processo vai ter andamento normal. Loureiro garantiu que hoje vai ouvir depoimentos de seis a sete pessoas, inclusive uma testemunha que ?pode ajudar a esclarecer os fatos?. O advogado José Fragoso disse que o deputado Luiz Pedro está ?utilizando sua prerrogativa?. Afirmou que o parlamentar não está sendo processado e que, caso isso viesse a acontecer, caberia ao Tribunal de Justiça de Alagoas e não ao juiz da 3ª Vara Criminal, Hélder Loureiro, a responsabilidade pelo seu julgamento. ?O juiz Hélder Loureiro havia determinado o dia, o horário e o local, mas o deputado Luiz Pedro sugeriu que fosse ouvido na Assembléia Legislativa. Até porque o deputado Luiz Pedro não está sendo processado; ele tem foro de prerrogativa de função e deve ser julgado pelo Tribunal de Justiça?, disse. Acareação O deputado Luiz Pedro também afastou a possibilidade de participar de uma acareação com o seu ex-funcionário Adézio Nogueira, que, em depoimento ao juiz Hélder Loureiro, revelou que o parlamentar teria oferecido R$ 200 por mês, ?até que deixasse a cadeia?, para que ?permanecesse calado? e não revelasse os verdadeiros nomes dos autores do seqüestro de Carlos Roberto, que segundo o denunciante seriam os policiais militares Genivaldo Teixeira (o Godzila), Naelson e um funcionário do parlamentar, Leone Lima, o Léo. Todos seriam seguranças pessoais do deputado Luiz Pedro.