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Sem-terra insistem em fechar rodovias em AL

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DORGIVAL JÚNIOR Os principais acessos rodoviários a Maceió foram novamente interditados, ontem, e usados como tática para pressionar o governo federal a acelerar o processo de desapropriação de terras para reforma agrária. Dessa vez, o bloqueio foi realizado por 650 trabalhadores rurais do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Eles paralisaram, durante toda a manhã, o trânsito nas rodovias AL-101 Norte, em Porto Calvo e Maragogi, e a BR-101, nas imediações do município de Flexeiras. De acordo com a coordenação estadual do movimento, as rodovias foram fechadas com pedaços de pau, pedras e pneus queimados. A extensa pauta de reivindicações pede ainda a liberação de cestas básicas e execução de projetos de infra-estrutura básica nas áreas de assentamentos já programados. A manifestação causou longos congestionamentos nas duas rodovias, que são usadas como vias do escoamento da produção agrícola dos municípios da Zona da Mata e Litoral Norte do Estado. Condutores de veículos, além de ônibus de linhas e caminhoneiros, reclamavam da interdição das estradas, alegando que estavam sendo prejudicados com a mobilização. Polícia No começo da manhã, logo após o MTL fechar a AL-101 Norte, nas imediações da ponte sobre o Rio Persinunga, na divisa de Alagoas com Pernambuco, policiais do Estado vizinho estiveram na área interditada e tentaram desbloquear a pista. A pressão da polícia pernambucana acabou gerando um clima de tensão. A situação só foi revertida quando os policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar de Alagoas chegaram ao local, conseguindo que os manifestantes liberassem metade da rodovia para que o fluxo de veículos pudesse voltar ao normal. ?Precisamos de uma resposta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com relação à desapropriação das áreas em que estamos lutando há vários anos?, disse Gildo da Silva, coordenador regional do MTL, em Maragogi. Já em Flexeiras, a mobilização reuniu um número maior de trabalhadores. ?Só o MTL tem mais de 500 famílias que lutam pela desapropriação de 22 fazendas pertencentes à Usina Agrisa, em Joaquim Gomes. O Incra disse que iria assentar nestes imóveis 2.500 famílias. Mas até agora nada foi feito?, disse Rafael Simão, coordenador estadual do MTL. A interdição no trecho próximo a Flexeiras foi a segunda realizada, nesta semana. Na quarta-feira, um grupo dissidente do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) fechou a rodovia, exigindo o andamento do processo de desapropriação de terras. ?Os anos estão se passando e nada vem sendo feito. O Incra estipulou uma meta que dificilmente será cumprida, de assentar, este ano, 3.500 famílias?, acrescentou o coordenador do MTL, Rafael Simão, esclarecendo ainda que o movimento tem 20 acampamentos em Alagoas e 11 áreas de assentamento.

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