Cidades
Promotora alerta para a pilantropia
BLEINE OLIVEIRA Para Failde Mendonça, promotora de Justiça Coletiva, única especializada em fundações pelo Ministério Público alagoano, as entidades têm que estar preparadas para atuar como agentes de cidadania, de organização social. Do contrário, deixarão de existir. ?As antigas instituições filantrópicas passaram muito tempo soltas, sem qualquer controle de suas ações. Essa liberdade deu margem a muitas ações que ficaram conhecidas como ?pilantropia?, afirma Faildes. Na avaliação da promotora, as irregularidades nem sempre são cometidas por má-fé, com o intuito determinado de desviar recursos, financeiros ou não, fazendo com que a instituição fuja a seus objetivos. ?Primeiro é preciso salientar que os problemas envolvem os dirigentes e não a instituição e que, em alguns casos, são resultado da desinformação?, assegura a promotora. Na função que exerce no MP ela já identificou casos assim, que puderam ser tratados e resolvidos de forma discreta, sem denuncismo ou escândalo. Com isso preserva-se a entidade, que pode continuar existindo com novos dirigentes efetivamente interessados em cumprir os objetivos de organização social. Mas nem por isso a Promotoria Especializada em Fundações deixou de registrar casos graves, em que os dirigentes tiveram que ser afastados judicialmente. E, sob o argumento de que é preciso preservar aqueles que de fato se dedicam à solidariedade e à cidadania, a promotora se nega a revelar nomes de pessoas e de instituições. Seu entendimento é de que a sociedade deve acreditar e participar dessas parcerias, inclusive como instrumento de execução de políticas públicas.