Cidades
Estudantes precisam de um choque cultural
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? A maioria dos acadêmicos de Medicina que decidiu abdicar de duas semanas de férias para vivenciar a dificuldade econômica no interior de Alagoas possui alto poder aquisitivo e ainda não havia estagiado em consultório sem o conforto de um ar-condicionado ou recursos básicos para o atendimento. ?Eles precisavam tomar um choque cultural e enxergar a realidade do paciente pobre do interior do país?, afirma o médico paulistano Luís Fernando, um dos responsáveis pela retomada do Projeto Bandeira Científica em 1998, quando 23 alunos viajaram ao interior de São Paulo para dar assistência à população de Cajati. Professor substituto do Departamento de Patologia da USP, Fernando defende, sempre que possível, a saída dos profissionais de Medicina dos grandes centros para uma temporada de ?assistência social? em lugares onde a miséria é regra. Social Questionado sobre a função social do profissional de Medicina, o professor explica que durante o processo de formação cada acadêmico precisa ter noção clara e real de que seu futuro profissional nem sempre estará ligado aos hospitais bem equipados das capitais do Sul e Sudeste. ?Muitos deles estagiam no Hospital das Clínicas (HC), um dos maiores do país. No futuro, alguns vão ganhar a vida em cidades pequenas e cuja clientela será o cidadão carente?, ressalta Luís Fernando. Ele também defende a necessidade de humanização do atendimento médico às populações carentes. Os acadêmicos que vieram a Alagoas não escolheram os pacientes dos quais iriam cuidar. Segundo constatou a reportagem da GAZETA, os estudantes não tiveram pressa em consultá-los. ?A solução para a maioria dos problemas está numa boa conversa. As pessoas são simples e precisamos atendê-las de acordo com sua realidade?, explicou um dos acadêmicos.