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Projeto da USP leva sa�de para o Sert�o de AL

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? Um grupo de 106 acadêmicos do curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) trocou a vida na maior metrópole brasileira pelo trabalho de assistência médica à população de baixa renda de Teotônio Vilela e São José da Tapera, no sertão escolhidos de acordo com seus indicadores sociais e econômicos. A vinda dos estudantes faz parte do Projeto Bandeira Científica, criado em 1957 com o objetivo de proporcionar o exercício da profissão em lugares distantes e com população carente. Também participam do projeto 30 acadêmicos de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?A formação de um profissional de Medicina envolve muito dinheiro público. Entendo que podem e devem colaborar no sentido de melhorar a qualidade de vida da população mais carente?, afirma o médico Luís Fernando da Silva, 26, um dos 34 professores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) que também desembarcou em Alagoas para testemunhar o quanto é difícil viver e cuidar da saúde no interior do Estado. O grupo trocou duas semanas de férias pelo trabalho voluntário em Alagoas, que acaba na próxima terça-feira, 21. O grupo viajou de São Paulo para Maceió num Hércules, cargueiro da Força Aérea Brasileira (FAB), que também transportou dois contêineres com mais de quatro toneladas de equipamentos indispensáveis à prática da oftalmologia, pediatria, dermatologia, infectologia, ortopedia e ginecologia, por exemplo. Na bagagem, os acadêmicos também trouxeram milhares de medicamentos doados não só por laboratórios particulares (Aché, Eugofarma e Roche) como também por instituições públicas ligadas ao governo do Estado de São Paulo e óculos para idosos com problemas na vista. ?Esses patrocinadores garantiram os R$ 250 mil necessários à viagem para Alagoas?, explica o médico patologista Luís Fernando da Silva. Houve inscrição de pelo menos 300 acadêmicos. Com base em critérios técnicos, apenas 100 foram selecionados para contribuir com o Bandeira Científica, que beneficiou o interior de São Paulo (Presidente Epitácio) em 2003 com 2.662 atendimentos médicos. O grupo planejou superar a marca anterior e atingir os 3.600 atendimentos nas duas cidades. ?Trouxemos material para 5 mil atendimentos. Queremos bater nosso recorde?, disse um dos acadêmicos, enquanto consultava o agricultor Francisco Ferreira Barbosa, 63, morador do povoado Água de Menino, em Teotônio Vilela. Meia hora depois da consulta em que mediu a pressão arterial e esclareceu dúvidas sobre câncer de próstata, seu Francisco demonstrou satisfação e comentou: ?Esse pessoal é novo, mas muito educado. Diferentemente dos doutores que a gente encontra por aí?. Continua na página E20

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