Cidades
Ex-militar teria hegemonia da ala especial
EDNELSON FEITOSA Existem, hoje, 13 presos recolhidos na ala especial do presídio Baldomero Cavalcanti. Segundo o depoimento do detento Eraldo Firmino Júnior, a maioria aceita o domínio do ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante, que teria controle até sobre as chaves para telefones. Tal controle causaria medo aos detentos e familiares, pois a patente de ?coronel? parece não ter saído da cabeça de Cavalcante. ?Ele quer controlar até as visitas?, diz Eraldo Firmino, seu vizinho de cela. Segundo Eraldo, o fiel escudeiro de Cavalcante no presídio é o ex-soldado Jovânio Brito, seu ex-motorista, condenado pelas ações da ?gangue fardada? e processado pela chacina da Praça Arnon de Mello, no Farol. O irmão, Adelmo Cavalcante, ex-major da PM, faria parte de uma espécie de ?estado-maior?. Tem conhecimento de tudo que ocorre e do que pode ocorrer dentro e fora do presídio. Na hierarquia, o terceiro posto é do ex-tenente José Luiz da Silva Filho, ex-chefe da segurança do deputado João Beltrão, que responde por diversos crimes e recentemente foi acusado de participação na morte de Sílvio Vianna. O ex-policial Hermane Soares, processado e condenado por assalto à mão armada, e seu cúmplice no processo, o comerciante José Barbosa Nunes, o ?Barbosinha?, também compõem o grupo, reforçado, nos últimos dias, por Jesse James Viana, o ?Neno?, amigo pessoal de Silva Filho e de Cavalcante. De acordo com o detento, o ex-delegado Antônio Camilo, preso na mesma época de Cavalcante e condenado por assaltos a agências bancárias no Agreste e Sertão do Estado, seria um dos poucos a não se sujeitar às ordens do ex-militar. ?Já faz um bom tempo que eles estão intrigados?, diz o detento. Estão presos na mesma ala e aceitam a dominação ? mas sem se envolver nos problemas diretamente ? o ex-soldado PM Severino Lira, que hoje se diz religioso e jura inocência dos crimes de assalto contra ônibus e caminhões na BR-101, e o empresário Francisco Oiticica Quintella, processado pelo assassinato do primo usineiro Bernardo Oiticica, ocorrido em abril do ano passado. Outros integrantes da ala especial são o ex-policial Milton Gomes, condenado pela morte da própria filha de oito anos, e Marcelo da Silva, ex-funcionário da Prefeitura de Satuba, acusado de envolvimento na morte do professor Paulo Bandeira, além de Sílvio Batalha, preso em Delmiro Gouveia. Atritos Eraldo Firmino conta que resolveu fazer a denúncia após ter problemas com Cavalcante em maio deste ano, quando o ex-tenente-coronel o teria xingado na presença de outros presos, para intimidá-lo. O fato foi comunicado à direção do Baldomero que, segundo o detento, nada teria feito. ?Esses fatos tornam o clima tenso no presídio e assustam familiares e visitantes, prejudicando a convivência de todos?, diz Eraldo, que já encaminhou um ofício ao diretor do Sistema Penitenciário. Eraldo Júnior disse que se arrependeu de pedir para ser transferido para a ala especial do Baldomero. ?Estou com medo de sair e ser assassinado. Aqui dentro fica mais difícil, pois todo mundo vai saber que foi ele quem mandou ou me matou, por eu saber demais?, diz o preso.